Segunda, 13 de Julho de 2026
21°

Tempo limpo

Teresina, PI

Brasil MUDANÇA PELO BOLSO

Preço faz brasileiro trocar arroz e feijão por macarrão

Estabilidade de preços e praticidade fazem massa ganhar espaço, mas nutricionistas e produtores alertam para riscos

28/10/2025 às 08h20 Atualizada em 29/10/2025 às 09h21
Por: Wagner Albuquerque
Compartilhe:
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O tradicional prato feito com arroz e feijão vem perdendo espaço para o macarrão nas mesas do Brasil. Um levantamento da VR, com base em mais de 5 milhões de notas fiscais, mostra que o consumo de massa cresceu 1.300% entre 2023 e 2025. A alta foi bem maior que a do arroz e do feijão, pressionados por preços instáveis e quebras de safra, como as enchentes no Rio Grande do Sul. Enquanto isso, o trigo usado no macarrão foi favorecido por safras globais recordes, o que manteve o preço da massa estável.

Esse descolamento no bolso das famílias foi decisivo. O arroz subiu quase 35% entre 2023 e 2024, e o feijão, mais de 11%. Já o macarrão registrou queda de 2,5% no mesmo período. Para muita gente, além de mais barato, ele também é prático e rápido no preparo. Dados da Embrapa confirmam que o consumo de arroz e feijão já vinha caindo há décadas: em 1997, cada brasileiro comia quase 49 kg de arroz por ano; em 2024, o número caiu para 28,5 kg. O feijão seguiu a mesma linha: em 1967, a média era de 26,5 kg anuais, mas em 2024 ficou em apenas 13,2 kg.

Pesquisas da UFMG já previam essa tendência: em 2025, a maioria dos brasileiros deixaria de comer feijão de forma regular. Entre os fatores apontados estão o preço instável, a rotina corrida — especialmente no caso das mulheres, que acumulam jornada dupla de trabalho — e a popularização de alimentos ultraprocessados. O resultado é que, em poucos anos, o prato símbolo da cultura brasileira foi substituído por opções mais rápidas, mas menos completas do ponto de vista nutricional.

A mudança preocupa produtores e especialistas em saúde. Para Marcelo Lüders, presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), a queda no consumo do feijão ameaça não só a saúde, mas também a economia e até a soberania alimentar. Estudos mostram que comer feijão regularmente reduz riscos de obesidade e doenças crônicas, além de gerar renda para milhares de famílias produtoras. “Abrir mão do arroz com feijão é abrir mão de um patrimônio nacional”, resume Lüders.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários