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“Ilha privada”: pescadores são impedidos de acessar a Ilha do Caju

Comunidades tradicionais denunciam violência, privatização ilegal e risco de perder sustento no Maranhão

25/10/2025 às 12h11 Atualizada em 26/10/2025 às 11h26
Por: Wagner Albuquerque Fonte: Intercept Brasil
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Ilha do Caju tem 9 mil hectares, mas contrato de aforamento com a União só dá direito a uso de 252 hectares, diz a SPU - Foto: Pablo Monteiro/Intercept Brasil
Ilha do Caju tem 9 mil hectares, mas contrato de aforamento com a União só dá direito a uso de 252 hectares, diz a SPU - Foto: Pablo Monteiro/Intercept Brasil

A Ilha do Caju, em Araioses (MA), sempre foi território de pesca e coleta de mariscos para cerca de duas mil famílias. Mas, nos últimos anos, esse modo de vida vem sendo ameaçado. Pescadores denunciam que estão sendo impedidos por seguranças armados de acessar praias, mangues e igarapés, áreas públicas que por lei deveriam continuar de uso coletivo.

O impasse começou após a União conceder um contrato de aforamento à empresa Ilha do Caju LTDA, ligada ao sueco Jimmy Furland e à ex-modelo Natália Furland. O documento dava direito de uso a apenas 252 hectares da ilha, que tem quase 9 mil. No entanto, a comunidade acusa a empresa de se apropriar indevidamente de mais de 8.500 hectares, alegando motivos ambientais para barrar pescadores e catadores.

A localização dos 252 hectares no mapa não corresponde, necessariamente, à área atualmente aforada. Trata-se apenas de uma projeção comparativa entre o tamanho da área aforada (252 ha) e o tamanho total da Ilha do Caju (9 mil ha). Na área onde está a projeção existem algumas construções de alvenaria, painéis solares e estradas. A SPU não enviou as coordenadas geográficas da delimitação exata dos 252 hectares aforados. As coordenadas da delimitação total da Ilha do Caju encontram-se no Sigef, Sistema de Gestão Fundiária desenvolvido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, o Incra, para gestão de informações fundiárias do meio rural brasileiro - Imagem: Reprodução

No local, o casal pretende erguer uma pousada de luxo e implantar o projeto Blue Carbon, em parceria com a transnacional Ambipar. A iniciativa é apresentada como de preservação e captura de carbono, mas, para os moradores, pode ser apenas um álibi para transformar um território coletivo em uma “ilha privada” voltada ao turismo de alto padrão.

A Defensoria Pública da União e a Superintendência do Patrimônio da União no Maranhão já reforçaram que praias, mangues e igarapés são bens de uso comum. “Qualquer tipo de proibição é ilegal e se baseia numa falsa ideia de que a ilha é propriedade privada”, afirmou o defensor público federal Yuri Costa. Enquanto isso, famílias continuam impedidas de exercer atividades que garantem sua sobrevivência há gerações.

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