
A Ilha do Caju, em Araioses (MA), sempre foi território de pesca e coleta de mariscos para cerca de duas mil famílias. Mas, nos últimos anos, esse modo de vida vem sendo ameaçado. Pescadores denunciam que estão sendo impedidos por seguranças armados de acessar praias, mangues e igarapés, áreas públicas que por lei deveriam continuar de uso coletivo.
O impasse começou após a União conceder um contrato de aforamento à empresa Ilha do Caju LTDA, ligada ao sueco Jimmy Furland e à ex-modelo Natália Furland. O documento dava direito de uso a apenas 252 hectares da ilha, que tem quase 9 mil. No entanto, a comunidade acusa a empresa de se apropriar indevidamente de mais de 8.500 hectares, alegando motivos ambientais para barrar pescadores e catadores.
No local, o casal pretende erguer uma pousada de luxo e implantar o projeto Blue Carbon, em parceria com a transnacional Ambipar. A iniciativa é apresentada como de preservação e captura de carbono, mas, para os moradores, pode ser apenas um álibi para transformar um território coletivo em uma “ilha privada” voltada ao turismo de alto padrão.
A Defensoria Pública da União e a Superintendência do Patrimônio da União no Maranhão já reforçaram que praias, mangues e igarapés são bens de uso comum. “Qualquer tipo de proibição é ilegal e se baseia numa falsa ideia de que a ilha é propriedade privada”, afirmou o defensor público federal Yuri Costa. Enquanto isso, famílias continuam impedidas de exercer atividades que garantem sua sobrevivência há gerações.
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