Domingo, 28 de Junho de 2026
25°

Parcialmente nublado

Teresina, PI

Economia NÚMEROS NÃO MENTEM

A polarização persistente e o desafio do governo Lula nas capitais brasileiras

Das 23 capitais analisadas, o governo Lula é positivamente avaliado em apenas quatro delas—Teresina, Recife, Salvador e Fortaleza—todas localizadas no Nordeste, onde historicamente o PT encontra seu reduto eleitoral

04/09/2024 às 08h00 Atualizada em 06/09/2024 às 12h39
Por: Douglas Ferreira Fonte: Com informações O Globo
Compartilhe:
A polarização persistente e o desafio do governo Lula nas capitais brasileiras

O Brasil, há pelo menos duas décadas, vive uma intensa polarização política que atingiu seu auge nas eleições de 2022. Embora Luiz Inácio Lula da Silva tenha emergido vitorioso naquele pleito, a divisão no país continua a se aprofundar, e as dificuldades enfrentadas por seu governo em conquistar a adesão popular nas grandes cidades são evidentes, como mostra um recente levantamento da Quaest divulgado por O Globo.

Segundo os dados, a avaliação da terceira gestão de Lula nas capitais brasileiras reflete um país ainda preso nas divisões do passado recente. Das 23 capitais analisadas, o governo Lula é positivamente avaliado em apenas quatro delas—Teresina, Recife, Salvador e Fortaleza—todas localizadas no Nordeste, onde historicamente o PT encontra seu reduto eleitoral. No entanto, mesmo nessas cidades, o apoio não se traduz diretamente em um fortalecimento eleitoral para os candidatos aliados do presidente.

Em contraste, em 11 capitais onde o ex-presidente Jair Bolsonaro obteve mais votos em 2022, a avaliação negativa do governo Lula supera a positiva, com cidades como Boa Vista, Curitiba e Porto Velho liderando esse grupo. Em capitais como São Paulo e Porto Alegre, a situação é de empate técnico, demonstrando a dificuldade do governo em romper as barreiras da polarização.

Especialistas apontam que essa persistência de uma visão crítica da gestão Lula entre os eleitores que apoiaram Bolsonaro em 2022 é um fator que dificulta o avanço da popularidade do governo. O cientista político Carlos Ranulfo, da UFMG, observa que a situação econômica atual, marcada por incertezas e desafios, também contribui para que Lula não alcance os mesmos níveis de aprovação de seus primeiros mandatos.

Josué Medeiros, da UFRJ, também ouvido por O Globo, destaca que o governo precisa focar nos eleitores que veem sua gestão como "regular", um grupo considerado mais volátil e que pode ser conquistado com uma comunicação eficaz dos avanços econômicos, como o crescimento recente do PIB. No entanto, essa tarefa não é simples. Thomas Traumann, jornalista e coautor do livro "Biografia do Abismo", foi outro ouvido pelo periódico carioca, e aponta que a dificuldade do governo em "contar sua versão dos fatos" é um obstáculo para a adesão popular, mesmo diante de indicadores econômicos positivos, como a alta histórica do emprego e o recorde da massa salarial.

Essa complexa combinação de fatores revela um cenário em que o governo Lula precisa não apenas enfrentar a oposição, mas também superar as próprias limitações na comunicação e na gestão, especialmente nas grandes cidades, onde a batalha pela popularidade será decisiva nos próximos anos. O futuro da polarização política no Brasil ainda está em aberto, mas uma coisa é certa: o caminho para a união nacional e a superação das divisões será longo e desafiador.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários