
Pesquisadores de universidades dos Estados Unidos, Japão e Suécia anunciaram uma descoberta que pode mudar o futuro da odontologia: a identificação de dois tipos de células-tronco capazes de regenerar dentes e ossos de forma natural. O estudo, publicado na revista Nature Communications, mostra como essas células se comunicam para reconstruir raízes dentárias e o osso alveolar — estrutura que sustenta os dentes.
Nos experimentos realizados com camundongos, os cientistas observaram o papel das células CXCL12+, localizadas na ponta da raiz, e das células do folículo dental. O primeiro grupo mostrou capacidade de formar dentina e cemento, tecidos essenciais do dente, além de ajudar na recuperação do osso em casos de lesão. Já as células do folículo dental atuaram na formação do osso alveolar, mas só quando um mecanismo genético chamado eixo Hedgehog–Foxf foi temporariamente desligado, permitindo a ação dos osteoblastos.
Segundo os pesquisadores, o segredo da regeneração está no equilíbrio entre ativar e silenciar determinados sinais genéticos. Esse controle preciso, explicam, é fundamental para que dentes e ossos cresçam de forma saudável. A descoberta ganha relevância diante do impacto global das doenças periodontais, que afetam cerca de 3,5 bilhões de pessoas e estão ligadas à perda óssea na boca.
Com base nesses achados, os cientistas acreditam ser possível desenvolver terapias que ativem as próprias células-tronco dos pacientes, abrindo caminho para substituir próteses e implantes por métodos biológicos. “Essas células funcionam como pequenas fábricas de reconstrução dentro do corpo”, explicaram os autores. A expectativa é que, no futuro, tratamentos regenerativos possam devolver dentes e ossos naturais a milhões de pessoas.
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