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Editorial Favas Contadas

Do altar ao palanque: quando o PT usa a fé e depois disfarça o ateísmo

Pensemos nisso ao ouvir a velha desculpa: “Ah, todos roubam!”

15/10/2025 às 12h22 Atualizada em 16/10/2025 às 09h49
Por: Redação GH1 Fonte: Arthur Feitosa
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Do altar ao palanque: quando o PT usa a fé e depois disfarça o ateísmo

“Ah, todos roubam!” Essa frase, repetida como um mantra, é um anestésico moral. Um sedativo cívico que embota o senso crítico e absolve os que transformaram o poder em religião e a fé popular em instrumento político.

Sim, há corrupção em todos os partidos. Mas o Partido dos Trabalhadores (PT) nasceu com um discurso diferente — prometia ser o partido dos justos, o refúgio dos pobres, o redentor da classe trabalhadora, o arauto da ética e da moralidade nacional. Era o suposto contraponto à velha política dos vícios e da ganância.

O detalhe é que o PT foi gestado no útero da Igreja Católica, embalado pela Teologia da Libertação, uma corrente que usava a fé como ferramenta de militância social. Do altar à fábrica, a doutrina se confundiu com ideologia — e dessa fusão nasceu um partido que aprendeu cedo o poder do púlpito: o discurso messiânico, o vocabulário da redenção e a promessa de um novo reino terreno de justiça.

Lula emergiu desse ambiente como o “operário ungido por Deus”, o símbolo do Brasil redimido. Sua imagem foi construída com tintas sagradas: o “companheiro” humilde, o profeta dos pobres, o eleito do povo contra os fariseus do capital. Campanhas inteiras foram moldadas com linguagem de fé — o povo orava, e o partido recolhia o dízimo em votos.

Mas o milagre durou pouco. A ética e a moral do PT eram meramente cosméticas — uma maquiagem ideológica que se desfez com a primeira lua de mel no poder.

O partido que dizia representar a pureza do povo acabou protagonizando o maior escândalo de corrupção da história da República. Do Mensalão ao Petrolão, foram bilhões desviados, dezenas de condenações e uma rede de corrupção que contaminou o coração das estatais. Mais de 150 políticos e empresários foram denunciados, incluindo ícones do partido que juravam ser “diferentes de tudo que estava aí”.

Imagem gerada por IA

Em 2017, Lula foi condenado em três instâncias por corrupção e lavagem de dinheiro. As sentenças foram anuladas mais tarde por questões processuais — não por inocência —, o que apenas reforçou a sensação de impunidade dos poderosos.

Nasceu, assim, o “petismo” — o novo nome da corrupção institucionalizada.
Se antes Paulo Maluf era o alvo da campanha midiática do PT contra a roubalheira institucionalizada, prática batizada de “malufismo” que simbolizava o desvio e o cinismo político, agora o “petismo” o substitui como sinônimo nacional de aparelhamento, impunidade e hipocrisia travestida de virtude

E se o PT prometia ser o “anti-Maluf”, o destino pregou uma ironia histórica: a esquerda conseguiu o feito de transformar o maior ladrão do Brasil em um mero “batedor de carteira”, tamanha foi a escala da roubalheira promovida pelos seus próprios quadros.

Hoje, a fé que antes servia de combustível virou incômodo. Lula, que um dia agradecia a “Deus e ao povo brasileiro”, agora declara, em tom de deboche, que “não quer ir para o céu”. A ironia não é casual — é simbólica. Revela que a fé só servia enquanto tinha utilidade eleitoral. Quando a religião era ponte para o poder, ela era exaltada. Agora, o ateísmo virou sinônimo de “libertação intelectual”, e os mesmos que erguiam a Bíblia em comícios zombam dos que ainda acreditam.

Essa manipulação não começou ontem. Em 1985, com a eleição de Maria Luiza Fontenele em Fortaleza — a primeira prefeita do PT no Brasil —, já se viam os traços do modelo que se repetiria país afora: aparelhamento, conflito ideológico e caos administrativo travestido de idealismo.

E agora o enredo se repete no Piauí, sob o comando de Rafael Fonteles. Apresentado como prodígio da nova geração — o “gênio da matemática”, o “governador técnico” que simbolizaria a superação das velhas práticas —, Rafael se tornou o espelho do que dizia combater. Abraça o mesmo fisiologismo, as mesmas alianças de conveniência, os mesmos vícios coronelistas. A promessa de inovação se dissolveu na rotina do poder.

O resultado? O povo que acreditou em um novo tempo assiste à repetição do velho roteiro — o da inteligência a serviço do sistema, e não da mudança.

O PT não veio para transformar o Brasil — nem o Piauí — numa sociedade mais justa. Veio para perpetuar um projeto de poder travestido de causa popular. A fé, o discurso moral e até o prestígio intelectual foram apenas ferramentas descartáveis de um mesmo truque político.

Do altar ao palanque, o partido pregou a salvação — e entregou a corrupção com liturgia.
E o petismo, hoje, é a nova religião dos que perderam a vergonha, mas ainda exigem ser tratados como santos.

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Sobre Arthur Feitosa - Executivo e articulista político do portal Gazeta Hora1
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