
A Justiça de São Paulo classificou Ana Paula Veloso Fernandes como uma “serial killer”. Ela foi denunciada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) por três homicídios qualificados, cometidos entre janeiro e maio de 2025, e é investigada por uma quarta morte no Rio de Janeiro. Todas as vítimas morreram envenenadas.
Ana Paula, de 38 anos, é acusada de usar venenos agrícolas, como o terbufós, para eliminar suas vítimas. Segundo o MP, ela agia de forma fria e calculista, sempre buscando vantagens pessoais ou financeiras. O juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo, da Vara do Júri de Guarulhos, afirmou que os crimes mostram “habitualidade delitiva”, o que significa que ela matava de forma independente e recorrente — um padrão típico de assassinos em série.
As investigações apontam motivos torpes e promessas de recompensa. Em um dos casos, a filha de uma das vítimas, Michele Paiva da Silva, teria contratado Ana Paula para matar o próprio pai, Neil Corrêa da Silva, de mais de 60 anos, em Duque de Caxias (RJ). Em outros crimes, o objetivo seria obter ganhos pessoais ou eliminar desafetos. A serial killer chegou a testar o veneno em dez cachorros antes de usá-lo em humanos.
As vítimas confirmadas são:
Marcelo Hari Fonseca, morto em Guarulhos (SP) em janeiro de 2025;
Maria Aparecida Rodrigues, morta entre 10 e 11 de abril, também em Guarulhos;
Neil Corrêa da Silva, envenenado com feijoada em Duque de Caxias (RJ) no dia 26 de abril;
Hayder Mhazres, morto em São Paulo em 23 de maio.
Há ainda uma tentativa de homicídio em apuração.
De acordo com a Polícia Civil, Ana Paula utilizava doses controladas de veneno para simular causas naturais, misturando o produto em comidas e bebidas, como feijoada, bolo, açaí e milkshake. Durante as buscas, a polícia encontrou substâncias tóxicas e anotações sobre o tempo e efeito dos compostos — um verdadeiro “manual do veneno”.
As investigações indicam que a irmã gêmea de Ana Paula, Roberta, sabia do plano e ofereceu apoio moral e material. Além disso, a filha de Neil Corrêa, Michele Paiva da Silva, teria financiado a viagem da assassina de Guarulhos ao Rio para executar o crime. O caso mostra como o esquema contava com envolvimento indireto de familiares e cúmplices.
A acusada nega ser assassina e afirma que é vítima de armação. Segundo o juiz, ela chegou a inventar ter recebido um bolo envenenado, culpou falsamente um ex-amante e até enviou mensagens ameaçadoras para si mesma para confundir a investigação.
O Tribunal de Justiça de São Paulo decretou prisão preventiva de Ana Paula, destacando que ela representa risco à ordem pública. O juiz afirmou que a acusada não possui residência fixa e circula frequentemente entre cidades diferentes, reforçando a necessidade da detenção imediata.
O caso expõe o lado mais sombrio da criminalidade e da manipulação de veneno. Ana Paula Veloso Fernandes, considerada serial killer, chocou São Paulo e o Rio de Janeiro com crimes que misturam frieza, planejamento e motivos torpes. A sociedade acompanha agora a investigação completa e a apuração das demais mortes, enquanto a Justiça tenta desvendar todos os detalhes de uma história que parece saída de um filme de horror.
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