
A Fundação Municipal de Saúde (FMS) confirmou, nesta terça-feira (07/10), o primeiro caso suspeito de intoxicação por metanol em Teresina. O paciente, um homem de 51 anos, está internado em um hospital particular da capital e apresentou melhora após iniciar o tratamento.
Segundo informações da FMS, o homem relatou ter ingerido um destilado recém-adquirido e, no dia seguinte, passou a sentir sintomas típicos de intoxicação, como visão turva, dor abdominal e náuseas. Após alguns dias, procurou atendimento médico e precisou ser submetido a sessões de hemodiálise, respondendo bem à terapia.
Amostras foram encaminhadas ao Laboratório Central de Saúde Pública do Piauí (Lacen-PI), que deve confirmar a presença da substância tóxica nos próximos dias.
O caso em Teresina acende um alerta estadual, já que outros dois pacientes estão sob investigação no litoral do Piauí. Em Parnaíba, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesapi) acompanha dois homens que apresentaram sintomas semelhantes após o consumo de bebidas alcoólicas suspeitas.
O primeiro, de 28 anos, deu entrada no Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA) com dores abdominais e visão embaçada após ingerir gin. Recebeu alta, mas continua sob monitoramento. O segundo, um garçom de 21 anos, também foi atendido no HEDA e liberado após observação.
Esses casos reforçam a suspeita de circulação de bebidas adulteradas no estado, o que pode indicar um problema de saúde pública mais amplo.
O Ministério da Saúde e a Anvisa tentam viabilizar o fornecimento emergencial do fomepizol, medicamento essencial no tratamento da intoxicação por metanol — e que está em falta em todo o país.
A agência abriu uma chamada pública internacional para localizar fornecedores do antídoto, após pedido urgente do governo federal. Enquanto isso, os hospitais utilizam hemodiálise e terapias de suporte para estabilizar os pacientes.
A FMS reforça que casos de intoxicação exógena são de notificação compulsória e estão sendo monitorados pela Diretoria de Vigilância em Saúde de Teresina. O órgão pede que a população denuncie a venda de bebidas adulteradas à
Delegacia de Crimes Contra as Relações de Consumo (DECCOTERC) e ao
PROCON,
além de comunicar imediatamente casos suspeitos de intoxicação ao
CIEVS Teresina ([email protected]) ou ao
Centro de Informações Toxicológicas do Piauí (CITOX) pelos números 0800 280 3661 e (86) 98178-8257.
O episódio marca um alerta grave sobre o risco de bebidas clandestinas e o impacto da falta de estrutura nacional para lidar com intoxicações por metanol. As autoridades de saúde pedem cautela da população e reforçam a importância de comprar apenas bebidas com procedência garantida — um cuidado que, neste momento, pode significar a diferença entre a vida e a morte.
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