Domingo, 28 de Junho de 2026
32°

Tempo nublado

Teresina, PI

Política CORRUPÇÃO NA SAÚDE

Do “cafezinho” aos milhões: como a corrupção se sofisticou nos governos petistas do Piauí

Enquanto contratos superfaturados drenam recursos da saúde, os esquemas se multiplicam e transformam a gestão pública em máquina de lucro privado

01/10/2025 às 06h02 Atualizada em 01/10/2025 às 09h18
Por: Douglas Ferreira
Compartilhe:
Palácio de Karnak sede do governo do Piauí - Foto: Reprodução
Palácio de Karnak sede do governo do Piauí - Foto: Reprodução

A corrupção no Piauí não é invenção dos governos petistas. Longe disso. É uma herança secular, tão antiga quanto as velhas oligarquias que dominaram o Estado desde os tempos do Império. Quem nunca ouviu falar das “comissãozinhas” que variavam de 3% a 10% em cada contrato público? Isso sempre foi prática tão real e previsível quanto a lei da gravidade.

A diferença é que, quando o PT chegou ao poder, chegou também um novo modelo de negócio: a industrialização da gatunagem. Os que antes se diziam paladinos da moralidade, que apontavam o dedo contra as velhas rapinas e pregavam a honestidade administrativa como bandeira, rapidamente trocaram o discurso pelo pragmatismo do saque sistemático. O que antes era um “extra” tolerado, virou regra de ouro.

Os 3% de comissão que garantiam a gasolina do carro oficial, os 10% que pagavam o cafezinho da repartição ou a campanha eleitoral, se multiplicaram até chegarem a percentuais de três dígitos. Sim, três dígitos! O salto não é retórico. Basta ver: em um simples contrato com uma Organização Social para gerir um hospital regional, a Polícia Federal bloqueia R$ 66 milhões. Sessenta e seis milhões — um valor que grita por si só.

O que houve? Superfaturamento escancarado? Serviços pagos e nunca entregues? Medicamentos fantasmas? Ou apenas a sofisticação contábil de vender uma saúde que nunca chegou ao paciente? A matemática é cruel: cada real surrupiado representa uma consulta que não aconteceu, um leito que não foi aberto, um paciente que não foi atendido.

E aqui mora o cinismo: o numerário some pela iniciativa privada, mas não sem cumplicidade. Porque ninguém acredita que tamanha sangria ocorra sem a conivência de quem assina empenhos, liquida despesas e autoriza pagamentos. A pergunta que não quer calar é: quem mais sujou as mãos e o jaleco além dos dois que aparecem nas manchetes?

Os acusados vão morrer negando, como sempre. O governo, por sua vez, vai repetir a ladainha padrão: “não sabíamos de nada”. Mas o povo do Piauí sabe — e há muito tempo — que a corrupção virou método, virou sistema. A diferença é que, de um tempo para cá, a engenharia financeira ficou mais sofisticada, os contratos mais gordos e os cofres mais vulneráveis.

O drama é que, enquanto a corrupção se sofistica, a saúde pública apodrece. Hospitais sem médicos, sem insumos, sem atendimento. Famílias rezando por vagas de UTI, enquanto carros de luxo circulam nas ruas de Teresina comprados com dinheiro que deveria salvar vidas.

A gatunagem, no Piauí, deixou de ser “a regra não escrita da política” para se transformar em verdadeira ciência. Uma ciência perversa, que transformou a desonestidade em método, a fraude em planejamento e a corrupção em legado.

Ao que tudo indica, a Operação OMNI pode estar descobrindo apenas a ponta do iceberg. Os presos devem revelar outras pontas do novelo, e o material apreendido pode desnudar esquemas igualmente milionários e criminosos. Mas a pergunta que não quer calar é: esse inquérito vai resultar em responsabilizações e devolução de tudo o que foi surrupiado? Ou, como na Operação Topique, em pouco tempo será arquivado, deixando tudo como se nada tivesse acontecido?

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Ferreira Filho Há 9 meses Teresina Piauí Infelizmente ficará como tudo que tem a mão dos corruptos do PT, “o dito pelo dito cujo e em nada dará!” Ou melhor dará em pizza.
Mostrar mais comentários
A NOTÍCIA E O FATO
A NOTÍCIA E O FATO
Sobre Douglas Ferreira é multimídia. Além de jornalista, é bacharel em Direito. Foi repórter da TV Clube, afiliada da Rede Globo, por 10 anos e, em Caxias, no Maranhão, apresentou o programa “Fala Caxias”. Fundou e dirigiu por seis anos a Folha do Cocais. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Caxias e retornou a Teresina como âncora da TV Meio Norte. Por 20 anos, reportou e apresentou na TV Antena 10, afiliada da Record. Também foi assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Piauí e passou por rádios e pelos maiores portais do Estado. Sua vida é o jornalismo. No Sistema Move de Comunicação, foi editor do Portal Move Notícias e apresentador do Business Cast, do canal movetvweb no YouTube. Agora, está à frente do Gazeta Hora1.
Teresina, PI Atualizado às 14h01 - Fonte: ClimaTempo
32°
Tempo nublado

Mín. 23° Máx. 32°

Seg 36°C 22°C
Ter 36°C 21°C
Qua 36°C 20°C
Qui 37°C 23°C
Sex 36°C 25°C
Horóscopo
Áries
Touro
Gêmeos
Câncer
Leão
Virgem
Libra
Escorpião
Sagitário
Capricórnio
Aquário
Peixes