
O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) deixou de ser um tema restrito à medicina e passou a ocupar espaço nas redes sociais, muitas vezes cercado por fake news e autodiagnósticos equivocados. Para frear a banalização do tema, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou em setembro de 2025 um documento com sinais de alerta que ajudam na identificação da condição, apresentado durante o 17º Congresso Brasileiro de Adolescência, em Porto Alegre (RS).
Segundo a SBP, o TDAH é uma condição neurobiológica caracterizada por desatenção, hiperatividade e impulsividade, com impacto direto na vida escolar, profissional e social. O diagnóstico deve ser clínico, baseado em critérios internacionais da Associação Americana de Psiquiatria (APA) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), e nunca em observações isoladas ou em vídeos de redes sociais.
Para confirmar o diagnóstico, a criança ou adolescente precisa apresentar ao menos seis sintomas de desatenção e/ou seis de hiperatividade por seis meses ou mais, em diferentes contextos (casa, escola, atividades sociais).
O tratamento indicado pela SBP deve ser multidisciplinar, envolvendo médicos, psicólogos, educadores físicos e familiares. A terapia medicamentosa pode ser utilizada, mas deve ser sempre acompanhada de psicoterapia, mudanças comportamentais e incentivo a atividades físicas.
Para especialistas como o neurologista Matheus Trilico, a resposta é clara: não. O TDAH é uma condição séria e exige acompanhamento profissional. Encará-lo como "moda" ou exagero pode atrasar diagnósticos e comprometer o desenvolvimento de milhares de crianças e adolescentes.
Sem tratamento adequado, os portadores podem desenvolver baixa autoestima, dificuldades profissionais, depressão e até abuso de substâncias.
A mensagem da SBP é direta: o TDAH existe, não é passageiro e precisa ser diagnosticado com responsabilidade, afastando os mitos que circulam nas redes sociais.
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