
O presidente da Investe Piauí, Victor Hugo, apareceu como o novo “profeta das cifras”. Um verdadeiro guru da multiplicação de investimentos. Segundo ele, cada viagem internacional do governador Rafael Fonteles rende R$ 3 bilhões de retorno por apenas R$ 3 milhões de gasto. Um escambo perfeito, um passe de mágica digno de Las Vegas. É como se o governador saísse do aeroporto com uma mala de sonhos e voltasse com um cofre abarrotado. Negócio da China, disseram. E, claro, os piauienses acreditaram. Quem não acreditaria?
Se a matemática fosse tão simples, em 15 viagens, Fonteles já teria captado cerca de R$ 45 bilhões. Se fossem 25, chegaria a R$ 75 bilhões. Dinheiro suficiente para erguer metrôs, transformar Parnaíba em Dubai, Floriano em Miami e Oeiras em Nova Iorque do sertão. Mas, cá entre nós, cadê esses bilhões? No fundo do mar de Luís Correia, junto com o Porto Piauí que não sai do papel?
Victor Hugo fala como se o Piauí estivesse prestes a virar potência mundial do hidrogênio verde, polo industrial do agro 5.0 e sede global de empresas de tecnologia de ponta. O discurso é bonito, embalado, dá capa de revista. Mas a realidade é bem menos cor-de-rosa: o povo não vê fábrica se levantando, não vê emprego pipocando, não vê salário caindo no bolso. Vê, no máximo, outdoor e propaganda oficial.
Rafael Fonteles, por sua vez, insiste em dizer que já cumpriu 73% das promessas de campanha. A meta dele é chegar a 90% até 2025. O problema é que promessa cumprida em PowerPoint não enche barriga. A realidade que o povo sente é outra: escolas ainda precárias, hospitais lotados, estradas esburacadas. O descompasso é nítido: o governo parece viver em outro planeta, onde bilhões caem do céu, enquanto o piauiense continua preso à dureza do cotidiano.
O tal “guru dos investimentos” talvez não tenha percebido, mas a fé cega do povo tem prazo de validade. E esse prazo está acabando junto com o governo. O eleitor pode até se impressionar com números de bilhões, mas se não sentir esses bilhões no prato de comida, na carteira de trabalho ou no asfalto da estrada, vai sobrar descrença.
A conta não fecha: 3 milhões investidos, 3 bilhões de retorno. É dinheiro que nem gente besta conta. Parece piada, e das boas. Porque, se fosse verdade, Rafael Fonteles estaria concorrendo ao Nobel de Economia. Ou, pelo menos, já teria sido contratado pelo FMI para ensinar o mundo a multiplicar dinheiro com passagens aéreas e diárias de hotel.
Enquanto isso, a desconexão entre o Palácio de Karnak e o chão da feira só cresce. O governo vive no marketing, mas o povo vive na feira cara, no transporte precário, no emprego que não aparece. O “guru” Victor Hugo vende expectativas, Rafael Fonteles assina embaixo, mas quem paga a conta é o piauiense, com juros e correção.
No fim das contas, essa dinheirama prometida virou lenda urbana. Uma fábula contada em coletivas de imprensa e repetida em relatórios, mas sem tradução no mundo real. O Piauí, que deveria estar rico com tanto investimento anunciado, continua pobre.
E o governador, que sonhava ser lembrado como o estadista do hidrogênio verde, corre o risco de passar para a história como mais um mercador de ilusões. Porque promessa pode até dar manchete, mas o povo quer resultado. E, até agora, tudo o que chegou foram discursos inflados, viagens caras e um abismo entre o que se fala e o que se entrega.
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