
O império de censura arquitetado pelo ministro Alexandre de Moraes começa a se voltar contra ele. O magistrado, que ao longo dos últimos anos comandou com punho de ferro decisões que tiraram do ar sites, perfis em redes sociais e veículos de comunicação sob o pretexto de “combater a desinformação”, agora vê sua própria família mergulhada naquilo que especialistas chamam de “morte digital”.
Nesta semana, o site do escritório Barci de Moraes, da esposa do ministro, Viviane Barci, foi retirado do ar. A justificativa? O impacto direto da Lei Magnitsky Global, sanção internacional aplicada pelo governo dos Estados Unidos contra Moraes, sua esposa e instituições ligadas ao casal, sob a acusação de práticas antidemocráticas e violações a direitos humanos.
A ironia é brutal. Quem por anos determinou bloqueios de sites e redes sociais de adversários políticos, jornalistas independentes e cidadãos comuns agora sente na pele os efeitos de uma legislação que impõe justamente a exclusão digital e financeira. A “morte digital”, antes imposta, agora é sofrida.
O golpe foi certeiro. A Cloudflare, gigante americana responsável por serviços de segurança e hospedagem na internet, suspendeu a página do escritório de advocacia da família Moraes após ser notificada sobre as sanções. Empresas americanas estão proibidas de manter relações comerciais com sancionados — e, nesse caso, a consequência imediata foi a retirada do site do ar.
Além disso, especialistas apontam que os reflexos não param por aí. O alcance da Magnitsky vai além da “imagem”. Ela atinge contratos, serviços bancários, sistemas de pagamento e até mesmo parcerias acadêmicas. O bloqueio financeiro é a segunda fase da sanção, algo que já preocupa os negócios da família do ministro.
O mais simbólico, contudo, é a exposição pública: Moraes, que tantas vezes reduziu opositores ao silêncio, agora conhece o gosto amargo de ser silenciado. É o “veneno” da censura sendo servido ao próprio censor.
O ministro ainda não se pronunciou oficialmente sobre a derrubada do site, mas nos bastidores sabe-se que articula meios de driblar os efeitos da sanção. A dificuldade é que, enquanto no Brasil ele age como “xerife da democracia”, no sistema internacional os EUA impõem regras que não podem ser facilmente contornadas por decisões monocráticas ou alinhamentos políticos internos.
O recado é claro e impactante: quem experimenta do poder absoluto de calar os outros deve estar preparado para, um dia, ser calado também. Moraes, que tantas vezes justificou suas medidas dizendo proteger a “democracia”, agora enfrenta o julgamento mais duro — não das cortes brasileiras, mas de uma legislação global que o enquadrou entre aqueles que violam liberdades fundamentais.
E, ao que tudo indica, o processo apenas começou.
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