
Após a Segunda Guerra Mundial, o mundo estava em ruínas. Alemanha, França, Inglaterra, Polônia e Japão eram cenários de destruição absoluta. Mas, em menos de duas décadas, esses países já haviam reconstruído suas economias, reorganizado seus Estados e criado bases sólidas para prosperar. O segredo? Planejamento de longo prazo, políticas de Estado que superavam disputas partidárias, investimentos maciços em educação, ciência e tecnologia, além de reformas institucionais profundas.
Os Estados Unidos, além de se consolidar como maior potência mundial em todos os aspectos — militar, econômico, tecnológico e cultural —, ainda lançou o Plano Marshall, financiando a recuperação da Europa Ocidental. Mais do que dinheiro, o plano representava visão estratégica: desenvolvimento econômico como alicerce da estabilidade política e social. Era a geopolítica usada como ferramenta de futuro.
E o Brasil? Fomos aliados vitoriosos, mas, paradoxalmente, saímos da guerra com a mesma estagnação estrutural de sempre. Não soubemos aproveitar a posição privilegiada de país vencedor para investir em infraestrutura, ciência, tecnologia e educação de base. Enquanto o mundo criava universidades de excelência, institutos de pesquisa e indústrias inovadoras, o Brasil seguia preso ao ciclo de improvisos e promessas vazias.
Aqui, cada governo age como se fosse fundador de uma nova nação. O que o anterior fez é destruído, não por ineficiência comprovada, mas pela vaidade política de apagar legados e impor “sua marca”. É a antítese do espírito de reconstrução do pós-guerra. A educação, que deveria ser a espinha dorsal de qualquer projeto de desenvolvimento, nunca recebeu continuidade. Pesquisa e inovação sempre foram tratadas como gastos, e não como investimentos estratégicos. Segurança jurídica e ambiente favorável ao capital externo são palavras que permanecem apenas em discursos.
Essa falta de projeto nacional contínuo explica por que seguimos parados no tempo. Pior ainda, no Nordeste, temos um caso emblemático: o Piauí. Enquanto o Ceará se projeta para se tornar a maior economia da região, atraindo indústrias, investindo em energias renováveis e transformando sua capital em polo logístico e educacional, o Piauí segue preso ao atraso crônico.
Por quê? Porque as elites políticas locais sempre enxergaram o Estado como patrimônio pessoal, não como missão histórica. Não houve visão de futuro, mas um uso predatório da máquina pública: cargos como moeda de troca, recursos drenados por clientelismo e ausência de um pacto real para o desenvolvimento. É como se estivéssemos deitados eternamente não em berço esplêndido, mas em berço de atraso.
Enquanto os povos que reconstruíram nações devastadas pela guerra transformaram miséria em prosperidade, o Brasil — e em especial o Piauí — continua a assistir ao bonde da história passar. Somos espectadores de um progresso que poderia ser nosso, mas que não acontece porque não há continuidade, não há planejamento, e sobretudo, não há estadistas à altura da responsabilidade.
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