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Política POR ARTHUR FEITOSA

Fábio Novo e a mentira como ferramenta política

PEC da Blindagem expõe contradições, manipulação de discursos e a normalização da mentira como estratégia de poder no Piauí e no Brasil

17/09/2025 às 11h18
Por: Arthur Feitosa
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Foto: Reprodução
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O Brasil parece condenado a caminhar em círculos, tropeçando sempre nos mesmos vícios que nos transformam, a cada década, em motivo de vergonha internacional. Se antes o atraso era consequência de golpes de Estado, ditaduras ou populismos desvairados, hoje assistimos à institucionalização da mentira como método político. A mais recente prova veio com a PEC da Blindagem, aprovada em primeiro turno pela Câmara dos Deputados — uma proposta indecorosa que amplia o foro privilegiado, impede o prosseguimento de processos contra parlamentares sem aval do plenário e ainda estende benefícios a presidentes de partidos.

Não bastasse a imoralidade em si, que reforça a impunidade de uma classe política já descolada da realidade, o episódio ganha contornos ainda mais revoltantes no Piauí. Cem por cento da bancada federal do estado — repito: todos os dez deputados piauienses — votaram favoravelmente à PEC. Sem exceções, sem pudores.

Diante desse fato cristalino, caberia esperar ao menos honestidade dos líderes políticos locais na hora de explicar o ocorrido à população. Mas o que recebemos foi exatamente o oposto.

Fábio Novo e a mentira como ferramenta política

O deputado estadual Fábio Novo, presidente do PT no Piauí, não se contentou em assistir ao vexame: decidiu manipular os fatos. Em pronunciamento, classificou a PEC como “escárnio” e atribuiu sua aprovação aos deputados que chama de “extrema direita”, assegurando ainda que parlamentares do PT não teriam apoiado a medida. Ora, deputado, com que cara de pau se constrói esse discurso?

Os registros da votação são públicos e incontestáveis: todos os deputados do PT votaram a favor da PEC da impunidade. Todos os representantes piauienses na Câmara, sem exceção, deram seu “sim” ao retrocesso. Dizer o contrário não é erro, não é descuido: é mentira deliberada, usada como arma para desinformar o cidadão comum que não acompanha os bastidores do Congresso.

Infelizmente, não se trata de um caso isolado. Na campanha municipal de Teresina, Fábio Novo já havia se notabilizado por prometer obras inviáveis, soluções mirabolantes e garantias que jamais poderiam ser cumpridas. A política virou espetáculo e, no palco, a mentira tem papel principal.

A motivação oculta: medo do STF

Mas há algo ainda mais revelador por trás da aprovação da PEC pela base petista. Ora, se o Supremo Tribunal Federal é hoje um aliado declarado da esquerda, defensor contumaz do governo e dos seus interesses, por que os deputados do PT votariam para restringir o poder da Corte?

A resposta parece óbvia: medo.
Medo de que a máquina que hoje serve de escudo político possa amanhã virar-se contra os próprios aliados. Medo de se tornarem os próximos perseguidos pela “Santa Toga de poder absoluto”, essa toga que se arroga o direito de definir o que é verdade e o que é mentira, o que é crime e o que é virtude, conforme a conveniência do momento.

Os deputados sabem que o STF não é instituição de garantias universais, mas de vontades pessoais. Se hoje o alvo preferencial são os adversários rotulados como “extrema direita”, nada impede que amanhã, diante de uma conveniência política, os petistas passem a ser vítimas da mesma fúria. A história está repleta de exemplos.

O voto do PT na PEC da Blindagem não é, portanto, uma defesa da democracia. É um seguro contra a imprevisibilidade do STF, um bilhete de autoproteção diante de uma instituição que já não inspira confiança nem mesmo nos seus aliados.

A invenção da “extrema direita”

Outro recurso retórico de Fábio Novo é a insistente tentativa de associar toda oposição a uma suposta “extrema direita”. Eis aí mais um artifício de manipulação. Não se trata de combater ideias, mas de rotular adversários para interditar o debate. A verdade é que o Brasil nunca conheceu uma perseguição sistemática de opositores políticos promovida pela direita nos moldes que a esquerda insiste em propagar. Se há radicalismos isolados — e sempre haverá em qualquer sociedade —, estes não justificam a fabricação de um espantalho ideológico para encobrir os erros do governo e de seus aliados.

O que existe, sim, é uma extrema mentira: a prática sistemática de distorcer fatos, manipular informações e construir narrativas falsas para enganar os menos informados. Essa é a verdadeira arma que ameaça a democracia brasileira.

A indignação que não pode calar

O episódio da PEC da Blindagem deveria servir de ponto de reflexão sobre quem mandamos para Brasília como representantes da nossa sociedade. Não é apenas a aprovação de mais um privilégio indecente; é a comprovação de que nossos representantes perderam qualquer pudor de legislar em causa própria. Mais grave ainda é assistir a lideranças locais, como Fábio Novo, desrespeitarem a inteligência do povo com versões cínicas e desmentidas pelos fatos.

Mentir de forma sistemática, usar a palavra pública para enganar, transformar a desinformação em estratégia de poder — isso é escárnio. Escárnio contra a democracia, contra o cidadão que paga impostos, contra a história do nosso estado.

O Brasil não se tornará um pária internacional apenas por seus indicadores econômicos ou por sua instabilidade institucional. Tornar-se-á pária, sobretudo, quando normalizar a mentira como regra do jogo político. E, infelizmente, estamos cada vez mais próximos desse ponto sem retorno.

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Sobre Arthur Feitosa - Executivo e articulista político do portal Gazeta Hora1
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