
O mercado financeiro brasileiro deixou de ser exclusividade do eixo Rio-São Paulo. Dados da Anbima mostram que, no primeiro semestre de 2025, o Norte e o Nordeste foram as regiões que mais cresceram em volume de investimentos: 8,5% e 7,9%, respectivamente. Enquanto isso, o Sudeste avançou 7,5% e o Sul apenas 3,5%. O movimento revela que o mapa dos investimentos está mudando.
Além do aumento no volume, cresce também a presença de gestoras e assessores de investimento. No Nordeste, o número de gestoras passou de 8 em 2019 para 20 em 2025. Já no Norte, onde não havia nenhuma, hoje existem duas. O número de assessores também disparou: no Nordeste, saltou de 969 em 2020 para quase 2 mil em 2025, e no Norte, de 144 para 370 no mesmo período.
Outro destaque é a participação cada vez maior das empresas locais no mercado de capitais. Emissões de dívidas, debêntures e notas comerciais explodiram nos últimos anos. No Nordeste, o volume saltou de R$ 8,2 bilhões em 2020 para R$ 49 bilhões em 2024. No Norte, o avanço foi ainda maior: de R$ 2,1 bilhões para R$ 15 bilhões, um crescimento de mais de 600%. A lógica é simples: “se conheço a empresa, tenho mais confiança para investir”, dizem especialistas.
Com a expansão econômica, a infraestrutura da região também ganha impulso. A retomada da indústria automotiva na Bahia e no Amazonas, o setor de mineração no Pará, a Zona Franca de Manaus e até a preparação para a COP30, em Belém, vêm atraindo recursos e movimentando a economia. O Banco do Brasil já abriu seu primeiro escritório de especialistas para investidores pessoa física no Nordeste, sinal de que a demanda só tende a crescer.
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