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Brasil POR ARTHUR FEITOSA

Para onde caminhamos como nação?

Entre rupturas e retrocessos, o Brasil segue preso a um ciclo histórico que impede o amadurecimento democrático e a construção de instituições sólidas

14/09/2025 às 08h14 Atualizada em 16/09/2025 às 07h49
Por: Arthur Feitosa
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Imagem gereda por Inteligencia Artificial
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O Brasil parece condenado a caminhar em círculos. De tempos em tempos, a história é interrompida por rupturas institucionais que emperram o desenvolvimento e atrasam a consolidação de um verdadeiro Estado democrático de direito. Desde a Proclamação da República, em 1889, nossa trajetória tem sido marcada por golpes de Estado, mudanças abruptas de regime e tentativas fracassadas de construir instituições sólidas.

O primeiro exemplo foi a própria República, nascida de um golpe militar contra o Império — um regime que, com todos os seus defeitos, havia garantido estabilidade territorial e o fim da escravidão. Em 1930, Getúlio Vargas inaugurou uma nova ruptura, derrubando a ordem vigente e implantando o Estado Novo em 1937, regime autoritário que concentrou poderes e sufocou liberdades. Em 1964, outro golpe militar colocou o país em duas décadas de ditadura, novamente paralisando o amadurecimento democrático. Em todos esses momentos, os mesmos sintomas: instabilidade, judicialização da política, fragilidade das instituições e a incapacidade de criar segurança jurídica duradoura.

Hoje, o que se vê é um novo capítulo dessa tragédia histórica. O Supremo Tribunal Federal, que deveria ser o guardião da Constituição, assume papéis que jamais lhe foram atribuídos: atua como investigador, escrivão, delegado, promotor, juiz de primeira e segunda instância, e ainda como última corte recursal. Rasga o Código Penal, ignora princípios básicos de garantias individuais e concentra em si todos os poderes da República. Seus ministros vivem como verdadeiros marajás, cercados de privilégios, mas exercem funções como tiranos, sem qualquer freio ou contrapeso.

Enquanto isso, o Congresso Nacional, intimidado pelos efeitos de qualquer tentativa de reação, assiste inerte, renunciando à função de legislar em defesa da soberania popular. A insegurança jurídica instalada no país mina a confiança do cidadão, do empresário, do investidor e de qualquer um que ainda acredite no futuro do Brasil.

As universidades, que deveriam ser polos de inovação, ciência e progresso, foram capturadas por ideologias rasteiras e se tornaram centros de militância política, sustentados com o dinheiro dos contribuintes. A contribuição real para o desenvolvimento nacional se esvai diante de uma produção acadêmica muitas vezes desconectada da realidade e mais preocupada em formar ativistas do que profissionais capazes de transformar o país.

A imprensa, outrora respeitada como o "quarto poder" e fiscal das instituições, abandonou a missão de informar para assumir a de manipular. Hoje, parte considerável dos grandes veículos vive de verbas públicas, praticando a desinformação, a parcialidade e a tentativa de impor narrativas que anestesiam a sociedade. O jornalismo crítico e independente deu lugar a um marketing disfarçado de notícia, pago com o suor do contribuinte.

Diante desse quadro, cabe a pergunta: para onde caminhamos como nação? Se não enfrentarmos de frente a deformação dos poderes, se não reconstruirmos os valores que devem nortear uma verdadeira civilização — liberdade, justiça, responsabilidade e mérito —, seguiremos presos ao ciclo de golpes, rupturas e retrocessos que nos condena ao atraso.

Talvez tenha passado da hora de promover uma profunda revisão de nossos valores e instituições. Um país só cresce quando sua sociedade tem coragem de enfrentar os vícios que a paralisam. Até hoje, o Brasil não teve essa coragem.

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