
O deputado estadual Francisco Lima, uma das principais lideranças do PT no Piauí, deixou claro em declarações recentes que o vereador Draga Alana não teria “perfil ético” para integrar os quadros do Partido dos Trabalhadores. A fala, no entanto, levanta uma questão inevitável: de que ética o deputado está falando?
É no mínimo curioso ver o PT, justamente o partido que transformou a palavra “ética” em um dos maiores estandartes de sua fundação, tentar ditar regras sobre o que é ou não ético. A legenda que nasceu pregando honestidade, probidade e moralidade administrativa foi a mesma que mergulhou nos maiores escândalos de corrupção da história do Brasil — Mensalão, Petrolão, e até o assalto bilionário contra aposentados e pensionistas.
Falar em ética dentro do PT tornou-se uma contradição em termos. Afinal, que conceito de ética é esse que tolerou alianças espúrias, loteamentos de cargos e uma rede de esquemas que envergonhou a política nacional? Ética seria transformar o Estado em balcão de negócios, como apontaram inúmeras delações, investigações e processos judiciais?
Francisco Lima pode até ter conduzido sua vida pública com integridade pessoal — e ninguém aqui lhe tira esse mérito. Mas quando o deputado fala “em nome do PT”, ele fala em nome de uma legenda que perdeu a autoridade moral para ditar regras nesse campo. Não se pode exigir do vereador Draga Alana aquilo que o próprio partido já não pratica há décadas.
Curiosamente, enquanto fecha a porta com dureza para Draga Alana, Lima escancara as portas do PT para Enzo Samuel, outro vereador, em um claro movimento de seletividade política. Afinal, qual é o verdadeiro critério? Ética ou conveniência?
O episódio escancara as contradições de um partido que ainda tenta sustentar um discurso moralizante, mas que carrega nas costas um passado marcado por escândalos que dilapidaram cofres públicos e a confiança da população.
É legítimo que Francisco Lima defenda seu partido, mas falar de ética em nome do PT é flertar com a ironia. O partido que patrocinou os esquemas mais asquerosos desde a redemocratização não pode posar de guardião moral.
Draga Alana, por sua vez, deveria ver nisso um sinal: afastar-se do PT pode ser um ato de prudência, pois quem ainda preserva um mínimo de coerência ética dificilmente encontrará espaço confortável em uma legenda marcada por tantas contradições.
Para deixar claro: não tenho procuração do vereador Draga Alana, nem o conheço pessoalmente. Não sei sua origem nem como conseguiu essa expressiva votação para a Câmara Municipal. Mas entendo um pouco de ética e conheço a história política do Brasil e do Piauí ao longo de 40 anos. E, com base nisso, afirmo: ética e PT não cabem na mesma frase.
E olha que nem vamos falar dos esquemas criminosos do PT no governo do Piauí ao longo dos últimos 20 anos, gestões das quais o deputado Francisco Lima fez parte. Nem vamos falar da Operação Topique ou dos mais de mil mortos e servidores públicos cadastrados no programa de alfabetização do governo.
É desse tipo de ética que falamos.
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