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Editorial Favas Contadas

O voto, a educação e a urgência de um novo pacto nacional

No Brasil, essa arma tem sido enferrujada pela ignorância cívica e pelo clientelismo secular que nos atravessa desde a Colônia.

07/09/2025 às 08h28 Atualizada em 09/09/2025 às 11h45
Por: Redação GH1 Fonte: Arthur Feitosa
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O voto, a educação e a urgência de um novo pacto nacional

A democracia não se sustenta em retóricas inflamadas, mas em escolhas conscientes e refletidas. O voto, tão banalizado entre nós, não é um simples gesto repetido a cada quatro anos; é a mais sofisticada arma que um cidadão pode empunhar contra os maus políticos. No entanto, no Brasil, essa arma tem sido enferrujada pela ignorância cívica e pelo clientelismo secular que nos atravessa desde a Colônia.

A história universal demonstra, com clareza cristalina, que povos instruídos não apenas resistem às tragédias, mas as transfiguram em oportunidades. O Japão, humilhado e devastado em 1945, converteu o trauma da bomba atômica em impulso para reconstrução moral e material, erigindo, em três décadas, uma das economias mais sólidas do planeta. A Coreia do Sul, ainda na década de 1960 tão analfabeta quanto o Brasil, e muito mais pobre, ousou apostar em educação, tecnologia e disciplina. Hoje, é referência mundial em inovação, qualidade de ensino e desenvolvimento humano.

Enquanto isso, o Brasil — país descoberto em 1500, apenas oito anos após a chegada de Colombo às Américas — permanece atolado em ciclos de atraso e autossabotagem. Os Estados Unidos, que compartilham conosco uma cronologia histórica semelhante, consolidaram instituições robustas, construíram coesão nacional e se tornaram potência global. Nós, ao contrário, seguimos reféns de elites políticas que se perpetuam em projetos de poder pessoal, transformando o Estado em feudo, em herança de famílias oligárquicas.

É preciso, portanto, formular a pergunta incômoda: quem somos, afinal, como nação? Um povo que se resigna a ser tutelado por coronéis modernos? Uma sociedade que confunde benesse pessoal com política pública? Ou temos, em alguma parte de nós, a disposição de reescrever nossa história por meio da consciência e da responsabilidade?

Votar não é apertar um botão eletrônico. É assinar uma procuração de caráter público e solene, que transfere a outro ser humano — deputado, senador, vereador ou presidente — o poder de decidir em nosso nome. Trata-se de uma concessão gravíssima, que deveria ser feita com o mesmo cuidado com que se entrega a guarda de um filho ou a administração de um patrimônio. Contudo, entre nós, o voto segue reduzido à moeda de favores, aos lotes de cabresto eleitoral, vendidos como manada em feira.

Não nos enganemos: o problema não reside apenas em Brasília ou nas assembleias legislativas. Ele é mais profundo. É o analfabetismo cívico que corrói a alma nacional. É a incapacidade de compreender que o voto não é mercadoria, não é prêmio para políticos que distribuem migalhas, mas sim contrato social, pacto de confiança, instrumento de emancipação.

Japão e Coreia não deveriam ser apenas inspiração longínqua, mas advertência iminente. Não há futuro sem educação; não há democracia sem cidadania lúcida. Enquanto reduzirmos a política a espetáculo e o voto a ritual, continuaremos massa de manobra de líderes que prosperam à custa da nossa própria indigência.

Chegamos, assim, à interrogação última — que não é retórica, mas existencial: queremos continuar como plateia passiva do teatro político, ou ousaremos assumir o protagonismo da reconstrução nacional? Se a resposta for a segunda, o caminho é um só: educação, consciência e voto qualificado. Todo o resto é ilusão.

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Sobre Arthur Feitosa - Executivo e articulista político do portal Gazeta Hora1
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