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A polícia não é racista — e está na hora de dizer isso sem medo

Generalizar a corporação como inimiga dos negros é um erro: existem policiais racistas, mas não uma instituição doutrinada contra eles. O que há são estatísticas que refletem desigualdade social e a violência do crime organizado

06/09/2025 às 10h04 Atualizada em 07/09/2025 às 13h47
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
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Há tempos repetem a narrativa de que a polícia brasileira é racista por essência. Eu não compro essa ideia. Sabe por quê? Porque ela não resiste a uma análise séria dos dados. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostra que 65,4% dos policiais assassinados em 2024 eram negros. Repito: os policiais mortos — vítimas da violência — são em sua maioria negros. Então me pergunto: como é possível afirmar que existe uma “doutrinação racista” dentro das corporações, se quem mais morre dentro delas também é negro?

É claro que existem policiais racistas. Assim como existem médicos racistas, professores racistas, políticos racistas e até jornalistas racistas. Mas isso não torna a medicina, a educação, a política ou a imprensa instituições racistas. O mesmo vale para a polícia. O que vemos é um discurso ideológico que prefere pintar a corporação como inimiga do negro, em vez de olhar para os verdadeiros fatores: desigualdade, miséria, tráfico de drogas, avanço das facções e uma realidade brutal em regiões onde a maioria da população é negra.

Dizer que a polícia “mata mais negros” é uma meia verdade que vira mentira quando usada fora de contexto. A polícia atua onde o crime está — e a estatística mostra que a maior parte dos criminosos também é negra. Isso não porque nasceram negros, mas porque nasceram pobres, em territórios abandonados pelo Estado, aliciados por facções que transformaram a periferia em campo de batalha. Culpar a polícia por isso é um atalho covarde: transfere a responsabilidade de décadas de desigualdade social para o agente fardado que arrisca a vida todos os dias.

Eu sei que esse raciocínio incomoda. É mais fácil repetir slogans do que enfrentar a realidade. Mas negar os dados só serve para fortalecer discursos prontos e enfraquecer o debate sério. A polícia não é racista. O que existe é uma sociedade desigual, onde os negros são os que mais sofrem com a violência — tanto como vítimas da criminalidade quanto como policiais que tombam no combate. Quem insiste em chamar a polícia de racista não quer justiça; quer ideologia.

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Sobre Wagner Albuquerque é um jornalista multifacetado, com uma carreira marcada por passagens expressivas pela Band, onde atuou como editor, produtor, repórter e apresentador. Ao longo de sua trajetória, também esteve à frente da Direção de Jornalismo em diversos portais de destaque, sempre pautado pela ética e pela busca da informação de qualidade. Atualmente, é apresentador da TV Lupa1 e jornalista no portal Gazeta Hora1, onde se destaca pela credibilidade, visão analítica e compromisso com a relevância dos fatos que impactam o dia a dia do público.
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