
O governador Rafael Fonteles (PT) embarcou nesta sexta-feira (5) para mais uma viagem internacional, com destino à Alemanha e à China. A promessa é a mesma de sempre: acompanhar estudantes piauienses em intercâmbio e “atrair investimentos” para o Estado. Até o dia 13 de setembro, Fonteles estará fora do Brasil, enquanto o Piauí segue mergulhado em seus velhos problemas.
O detalhe é que essa já é a 17ª viagem internacional do governador em dois anos e meio de mandato. Se acumulasse milhas, poderia dar a volta ao mundo de graça. Mas como quem banca a conta é o contribuinte piauiense, cansado e sobrecarregado de promessas vazias, a farra das passagens e estadas continua firme e forte.
Na primeira etapa, Fonteles visita a Alemanha para prestigiar estudantes em projetos educacionais. Depois, parte para a China, em mais uma comitiva de empresários. O discurso é bonito: vender as potencialidades do Piauí, abrir portas, atrair investimentos, gerar desenvolvimento. A realidade, porém, mostra que os retornos práticos dessas viagens são tão discretos quanto uma sombra na noite.
Prova disso é que, mesmo após abrir um escritório do Piauí na China, o governador não conseguiu trazer resultados de peso. Nenhum grande investimento desembarcou no Estado até agora. Enquanto isso, o Ceará — sem tanto carimbo no passaporte — atraiu bilhões de dólares: o megadatacenter de R$ 55 bilhões da ByteDance (TikTok), parques solares da PowerChina e reforços na rede de transmissão de energia.
E não para por aí: a China já investe em metade dos estados brasileiros, do Sul ao Nordeste, do agronegócio à energia, passando por infraestrutura e tecnologia. Só no ano passado, os aportes saltaram 113%, com 39 projetos concretizados. O Brasil foi o terceiro país mais beneficiado, atrás apenas do Reino Unido e da Hungria.
Mas no Piauí? Nada. Zero. Apenas promessas de que “estamos no radar”. Parece que os chineses conhecem bem os potenciais do Estado, só não se interessam. Triste, não é? Mas por quê? O que falta? Não estão sabendo vender?
A desculpa do governador é sempre a mesma: “abrir portas”. Mas portas que nunca se abrem de verdade. Talvez a chave esteja errada, talvez a insistência seja em bater na porta errada, ou talvez, simplesmente, o Piauí não esteja no mapa de prioridades dos investidores. Enquanto isso, Fonteles posa em fotos ao lado de empresários, desfila com a primeira-dama — que mais parece dama de companhia oficial — e garante a narrativa de que está “trabalhando pelo desenvolvimento”.
O problema é que o povo piauiense não vê nem sente esse suposto desenvolvimento. O que chega mesmo são boletos para pagar as viagens, notas de hotel cinco estrelas e discursos embalados em inglês ou mandarim. O Estado continua com os piores indicadores sociais do país, e a propaganda governamental tenta convencer que “estamos avançando”.
É irônico notar que os chineses, conhecidos como o “Reino do Meio”, parecem ver o Piauí como um ponto periférico irrelevante no tabuleiro global. Talvez até saibam da existência do Estado, mas não enxergam nele o retorno necessário para arriscar bilhões. O Ceará, por outro lado, soube bater na porta certa — e conseguiu.
Se o objetivo do governador fosse mesmo garantir investimentos, já haveríamos visto algum resultado. Mas, até aqui, as viagens parecem servir mais para projetar a própria imagem, posar em palcos internacionais e alimentar o ego de quem acredita ser um grande embaixador do Piauí no mundo.
E assim seguimos: com um governador que mais parece um turista global do que um gestor focado em resultados. A pergunta que não quer calar é simples: desta vez, Rafael Fonteles vai trazer algo concreto na bagagem ou apenas mais histórias de aeroporto e contas para o contribuinte pagar?
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