
A corrente política socialista sempre teve uma obsessão: conquistar e manter o poder a qualquer custo. Para isso, não hesita em usar todos os meios — públicos ou privados, estatais ou até mesmo de origem duvidosa. É uma máquina que se alimenta do próprio sistema, sugará até o último centavo do contribuinte e ainda buscará “contribuições” de aliados, sindicatos, ONGs e organismos internacionais. O projeto não é apenas político, mas civilizatório: reprogramar a sociedade de cima a baixo, custe o que custar.
Já o campo conservador vive um paradoxo curioso. Seus integrantes, em geral, são justamente os donos do capital — profissionais liberais, empresários da indústria, do comércio, do agronegócio e do setor de serviços. São aqueles que fazem a roda da economia girar, que têm condições reais de sustentar uma estrutura de comunicação, cultura e educação capaz de disputar a narrativa pública. No entanto, na hora decisiva, emperram. Guardam seus recursos, acreditam que “o bom senso” prevalecerá por si só e deixam de investir no campo mais estratégico: a formação de opinião e a difusão de ideias.
Enquanto a esquerda financia redes de comunicação, aparelha universidades, sustenta influenciadores e compra espaço no imaginário coletivo, os conservadores mal conseguem manter jornais ou veículos de mídia que não sejam rapidamente capturados pela mesma lógica progressista. O contraste é brutal: de um lado, batalhões de influenciadores digitais pagos com verbas públicas, alimentando diariamente as redes sociais com narrativas pró-governo; de outro, empresários conservadores que têm medo até de associar seu nome a projetos de comunicação independentes.
No Piauí, por exemplo, é quase impossível ligar a TV aberta sem assistir a uma cobertura favorável às ações do governo. Empresas de mídia, sustentadas por volumosos contratos publicitários estatais, transformaram-se em verdadeiros porta-vozes oficiais, repetindo discursos e mascarando os fracassos da gestão. Paralelamente, dezenas de influenciadores digitais, muitas vezes sem qualquer credibilidade jornalística, vivem exclusivamente para defender a pauta governista, atacando opositores e naturalizando escândalos. Criou-se uma espécie de “tropa de choque virtual”, com disciplina e recursos, que garante ao governo uma blindagem quase absoluta.
A consequência é clara: a esquerda, com recursos limitados, mas sem escrúpulos, constrói hegemonia cultural e política. A direita, com recursos abundantes, mas travada por hesitação e divisões internas, vê sua voz ser abafada. No fim, o Brasil acorda todos os dias com a agenda da esquerda ditando os rumos, enquanto os conservadores — que poderiam financiar o contraditório — seguem acreditando que o “mercado” ou o “voto racional” darão conta da batalha de ideias.
E assim, parafraseando a sabedoria popular, poder-se-ia dizer que aquele que não madruga permanece adormecido no berço esplêndido da bochinche, anestesiado pela própria indolência."
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