
O Brasil adora posar de potência mundial. Um gigante tropical capaz de ensinar moral ao planeta. Mas, na prática, seguimos carregando com orgulho o apelido de “anão diplomático”, carimbo dado lá em 2014 pelo israelense Yigal Palmor. Pois bem, eis que o título volta a soar atual. Agora, com Israel rebaixando oficialmente as relações com o nosso país, depois do Itamaraty fingir que não ouviu — nem respondeu — à indicação de um novo embaixador. Na diplomacia, silêncio também é palavra. E, nesse caso, soou como “não”.
O gesto brasileiro foi, segundo Celso Amorim, apenas uma forma de devolver a “humilhação” sofrida pelo ex-embaixador Frederico Meyer em Tel Aviv. Traduzindo: nossa política externa virou DR mal resolvida, feita de birra e cara amarrada. Se Israel foi deselegante, o Brasil respondeu com o clássico “não vou responder sua mensagem”. Resultado? As relações, já frágeis, foram parar num nível inferior — com direito a comunicado oficial e tudo. O gigante se apequena mais uma vez.
Lula e Amorim insistem em dizer que não estão contra Israel, mas contra Netanyahu. Como se fosse possível separar governo de Estado no meio de uma guerra. É o famoso “não é você, é ele”. Ao mesmo tempo em que condena o “genocídio em Gaza”, o Brasil perde qualquer chance de intermediar conversas sérias. Porque, convenhamos, quem leva a sério um país que não responde nem convite de embaixador?
No fim, sobra o discurso inflado em palanques e entrevistas, enquanto no tabuleiro internacional o Brasil segue pequeno, ignorado e irrelevante. O “gigante pela própria natureza” talvez seja mesmo só um gigante no hino. Na diplomacia, Israel já tinha dito tudo: anão. E anão continua sendo.
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