
O Brasil deve registrar em 2025 uma das maiores saídas de milionários de sua história recente. Levantamento da consultoria Henley & Partners estima que cerca de 1,2 mil brasileiros com patrimônio acima de US$ 1 milhão vão deixar o país neste ano — um crescimento de 50% em relação a 2024. Caso se confirme, o movimento representará a transferência de aproximadamente US$ 8,4 bilhões (R$ 46 bilhões) para o exterior.
Entre os países analisados, o Brasil ocupa a sexta posição no ranking global de êxodo de milionários, atrás de Reino Unido, China, Índia, Coreia do Sul e Rússia. Nos últimos dez anos, segundo o Instituto Millenium, o país já perdeu 18% de sua população milionária. A consultoria aponta que os destinos mais procurados são Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos, Itália, Portugal e Suíça, atraídos por fatores como segurança jurídica, estabilidade econômica e melhor qualidade de vida.
As razões para o movimento vão além da questão financeira. Especialistas destacam a violência como um dos principais gatilhos para a mudança, sobretudo quando envolve a segurança dos filhos. Outros fatores pesam na decisão, como a alta carga tributária, a percepção de baixa qualidade nos serviços públicos e a instabilidade política e econômica. “Vão embora empresários, executivos e investidores com experiência para criar negócios e inovar. Essa fuga de cérebros enfraquece o ecossistema de startups e a capacidade do país de competir globalmente”, avalia Leonardo Chagas, do Instituto Millenium.
O impacto da saída é profundo. Além da perda de capital que poderia ser investido em empresas, empregos e consumo, há um efeito negativo na arrecadação de impostos e na percepção externa sobre o país. “Se os próprios brasileiros estão desistindo do Brasil, por que alguém de fora deveria investir aqui?”, questiona Chagas. Para ele, o processo cria um ciclo vicioso: menos investimento, queda na arrecadação e menor capacidade de o Estado melhorar serviços públicos, o que reforça a decisão de mais milionários buscarem estabilidade em outros países.
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