
Parecia impossível, mas aconteceu. A Bolívia, que por mais de 20 anos foi governada sob a batuta da esquerda liderada por Evo Morales e seu partido (MAS), virou a página. O partido, que já controlou dois terços do Legislativo, mal conseguiu sobreviver juridicamente, reduzido a pó pelas urnas nas eleições realizadas no último domingo (17). Foi um recado direto: até a hegemonia mais consolidada cansa.
Esse fenômeno merece atenção especial no Brasil e, sobretudo, no Piauí. O PT, que domina o estado há mais de duas décadas, enfrenta hoje uma oposição mais organizada. O PL, sob a liderança do empresário Tiago Junqueira, construiu base sólida e estrutura de partido grande. O PP, sob o comando do senador Ciro Nogueira e fortalecido pela federação com o União Brasil, projeta-se nacionalmente, até mesmo com apoio (pasme) do cearense Ciro Gomes.
Nesse tabuleiro, o PL já lançou o ex-deputado Mainha como pré-candidato ao Palácio de Karnak, mas é do PP que surgem os nomes mais ameaçadores para Rafael Fonteles. Joel Rodrigues, que em 2022 quase derrotou Wellington Dias ao Senado, deixou um recado forte: em Teresina, bateu o petista com uma diferença esmagadora — mais de 80 mil votos (255.140 votos, 58,07%, contra 172.881, 39,35%). Ou seja, mostrou que na capital o petismo não é tão imbatível quanto parece.
Joel desponta como a antítese de Rafael Fonteles: negro, humilde, de origem simples e com trajetória de superação. Já Margarete Coelho carrega experiência administrativa e legislativa, além do peso simbólico de ser mulher em um espaço majoritariamente masculino. Uma chapa Joel–Margarete poderia impor um desafio inédito à hegemonia petista.
Enquanto isso, o governador Rafael Fonteles dá sinais de que terá como vice Washington Bandeira, secretário de Educação sem grande capital político. O contraste é gritante: de um lado, experiência e narrativa popular; do outro, juventude técnica e sem apelo eleitoral robusto.
A história boliviana mostra que, quando o eleitorado decide virar a chave, a mudança vem de forma avassaladora. Será que o Piauí seguirá a Bolívia e abrirá espaço para uma alternância de poder, rompendo com a longa hegemonia do PT?
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