
Mas, ao contrário do mestre da sanfona, que elevou a cultura nordestina, o Rei do Balão empurrou o Piauí para baixo transformando sonhos em promessas vazias e o Estado em sinônimo de atraso.
Seu João Claudino, um dos maiores empresários do Piauí, costumava contar no famoso “Senadinho” do Teresina Shopping que só havia levado dois balões em toda a vida: o primeiro, de um cigano que lhe vendeu um pangaré como se fosse cavalo de raça; o segundo, muito mais doloroso, veio de Wellington Dias. Era 2010. JVC, senador da República e filho de Seu João, tinha o caminho aberto para disputar o Governo do Estado. Lula sabia e apoiava essa candidatura. Mas Wellington, com seu jeito matuto e cara de “índio besta”, apareceu com uma história curiosa: disse ter passado a noite em oração, conversado com Deus e recebido uma visão divina e decidido apoiar JVC. No dia seguinte, renunciou ao governo, declarou apoio a Wilson Martins e lançou-se ao Senado. Balão aplicado daqueles que mudam destinos políticos.
E não parou por aí. O ex-deputado Zé Santana também caiu na lábia. Foi convencido a desistir da disputa por uma vaga na Câmara Federal para apoiar Rejane Dias, sob a promessa de ser recompensado com cadeira no Tribunal de Contas. Resultado: Rejane se elegeu deputada, depois conquistou exatamente a cadeira prometida a Santana no TCE, e Santana ficou de fora chupando o dedo. Agora, ao sonhar em voltar ao jogo, corre risco de tomar outro balão dessa vez do filho de Wellington, Vinícius, que ensaia herdar o espaço da mãe.
Mas quem mais conhece os “balões” de WD são os prefeitos piauienses. Durante anos, saíam do Karnak sorridentes com os famosos ofícios de “AUTORIZO”. No papel, parecia sinal verde para obras; na prática, eram apenas folhas sem recursos, promessas sem execução. Viraram motivo de piada: o “passa o besta pra frente”. Até hoje, muitos guardam esses documentos como lembrança da grande farsa política.
E há o caso emblemático do atual vice-governador, Themístocles Filho: três vezes iludido. Três balões seguidos. Em 2010, WD prometeu que seria vice de Wilson Martins, mas entregou a vaga a Zé Filho. Em 2018, repetiu o golpe, e quem assumiu foi Regina Souza. Agora, para 2026, ensaia o maior de todos: cortar o espaço de Themístocles na chapa de Rafael Fonteles para abrir caminho ao próprio filho. É o balão hereditário — a transição de poder de pai para filho, consolidando o feudo familiar travestido de política pública. Mas o próprio Rafael tem outros planos. É o balão do balão.
Wellington Dias construiu sua carreira não sobre projetos estruturantes, mas sobre a arte da enganação. Foram vinte anos de poder e reeleições que deixaram o Piauí parado no tempo: um dos estados mais pobres do Brasil, com baixos investimentos em infraestrutura, piores indicadores sociais e dependência crônica da máquina pública. Enquanto Ceará, Pernambuco e Bahia avançaram em industrialização, turismo e inovação, o Piauí ficou no improviso e nas narrativas.
E o paradoxo é cruel: com Lula e Dilma como aliados, WD nada entregou de transformador. Foi justamente no governo Bolsonaro em plena pandemia que o Piauí registrou seu maior crescimento desde 2003.
Agora, como ministro, WD ensaia seu balão mais audacioso: convencer o Brasil de que a fome acabou. Em entrevistas, afirmou que “não há mais brasileiros passando fome”, quando o próprio IBGE aponta mais de 30 milhões em insegurança alimentar grave. Mais uma vez, papel, discurso e marketing enquanto o prato do pobre continua vazio.
No fim das contas, Wellington Dias consolidou um estilo de governar que não traz progresso: governa no engodo, administra no improviso e sobrevive na mentira. O resultado é claro: um Piauí que poderia ser celeiro de oportunidades, mas foi transformado em território do atraso; e um Brasil enganado pelo “Ministro da Fome”, enquanto milhões seguem dormindo com a barriga vazia.
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