
Felipe Bressanim Pereira, mais conhecido como Felca, voltou a reafirmar sua postura firme contra a pedofilia e a adultização no Brasil, mesmo após ter recebido ameaças de morte por conta de seu trabalho. Em entrevista ao Fantástico neste domingo (17/8), o youtuber declarou que não pretende interromper sua atuação.
As ameaças surgiram após a publicação do vídeo em que expôs denúncias contra o influenciador Hytalo Santos, preso na última sexta-feira (15/8). O conteúdo ultrapassou 4 milhões de visualizações em menos de 24 horas e hoje já soma mais de 44 milhões de acessos, o que evidencia tanto o impacto quanto a gravidade do tema.
Felca explicou que sua motivação nasceu de experiências próximas: “Eu conhecia pessoas do meu convívio que foram abusadas sexualmente na infância. Eu pensava em como consolar e comecei a estudar o assunto”, disse. Para ele, silenciar agora não seria uma opção: “Desculpa aí, não vou conseguir parar. Isso é maior do que eu”.
Após a repercussão, Felca passou a receber mensagens de ódio e de intimidação. Em um dos e-mails, o agressor chegou a escrever: “Você tá enganado, vai ferrar muito sua vida. Prepara pra morrer. Você vai pagar com a sua vida”.
O caso foi levado ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que agiu com rapidez. Em decisão de urgência, o juiz Pedro Henrique Valdevite Agostinho determinou que o Google forneça, em até 24 horas, os dados do responsável pelas ameaças, incluindo IPs de acesso e informações vinculadas ao e-mail. O não cumprimento pode gerar multa diária de até R$ 2 mil, limitada a R$ 100 mil.
A defesa de Felca comemorou a agilidade judicial. “A decisão foi concedida em apenas 29 minutos após o protocolo”, afirmou o advogado João de Senzi, que agora aguarda os dados telemáticos para identificar o autor das intimidações.
Enquanto isso, Felca reafirma sua disposição de seguir em frente, mesmo sob risco. Sua postura expõe não apenas a coragem pessoal, mas também o vácuo institucional: em um país onde casos de pedofilia e exploração sexual infantil frequentemente acabam silenciados, a tarefa de expor e denunciar recaiu sobre um youtuber que transformou sua indignação em cruzada pública.
O recado do influenciador é claro: as ameaças podem até tentar calar sua voz, mas não irão deter o movimento que trouxe à tona um debate que a sociedade insiste em empurrar para debaixo do tapete.
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