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Brasil ECONOMIA

Lucro do Banco do Brasil cai 60%

Queda reflete provisões recordes de R$ 15,9 bilhões; presidente garante segurança da operação e projeta melhora a partir do 4º trimestre

16/08/2025 às 08h26 Atualizada em 20/08/2025 às 08h03
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
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O Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,8 bilhões no segundo trimestre de 2025, queda de 60% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado foi fortemente impactado pela inadimplência histórica no agronegócio, concentrada em cerca de 20 mil clientes. Apesar do recuo, a presidente Tarciana Medeiros afirmou que a operação segue segura. “Quem tem, mantenha, quem não tem, compre”, declarou em coletiva nesta sexta-feira (15).

A elevação das provisões para perdas de crédito foi o principal fator para o resultado negativo. Somente no trimestre, o banco destinou R$ 15,9 bilhões para esse fim, alta de 104% em comparação a 2024. Desse total, R$ 7,9 bilhões referem-se ao agronegócio, R$ 4,8 bilhões a pessoas físicas e R$ 4,3 bilhões a pessoas jurídicas. O aumento reflete tanto o avanço da inadimplência como a exigência da Resolução 4.966 do Banco Central, que obriga a provisionar valores considerados de difícil recuperação.

Na carteira de crédito do agro, que representa 33,8% do total, a inadimplência acima de 90 dias alcançou 3,49%. Entre pessoas físicas, o índice foi de 5,59%. Medeiros destacou que os devedores estão concentrados nas regiões Centro-Oeste e Sul, principalmente em produtores de soja, milho e bovinocultura. Ela afirmou ainda que o banco será mais seletivo na concessão de crédito ao setor e criticou clientes que buscaram diretamente a Justiça sem antes negociar com a instituição, o que, segundo ela, caracterizou “tentativa de abuso”.

Mesmo com o lucro no pior patamar em quase cinco anos, a presidente do BB projetou uma continuidade do cenário difícil no terceiro trimestre, mas com expectativa de melhora a partir do quarto trimestre, impulsionada pela margem financeira bruta. Ela também negou qualquer influência política sobre a gestão. “O presidente não manifestou nenhuma intenção de mudanças no Banco do Brasil”, concluiu.

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