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Cargueiro militar russo sancionado pelos EUA causa mistério em Brasília e segue para a Venezuela

O Ilyushin IL-76, da empresa Aviacon Zitotrans, ficou três dias na Base Aérea de Brasília sob forte sigilo, despertando curiosidade e questionamentos no Congresso antes de partir rumo a Caracas

14/08/2025 às 19h05 Atualizada em 19/08/2025 às 10h49
Por: Wagner Albuquerque
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Cargueiro estratégico russo está escondido na Base Aérea de Brasília, mas é possível ver parte de sua cauda do terminal de passageiros do aeroporto Juscelino Kubitschek - Foto: Aline Rechmann/Gazeta do Povo
Cargueiro estratégico russo está escondido na Base Aérea de Brasília, mas é possível ver parte de sua cauda do terminal de passageiros do aeroporto Juscelino Kubitschek - Foto: Aline Rechmann/Gazeta do Povo

O pouso de um cargueiro militar russo modelo Ilyushin IL-76, no domingo (10), movimentou o Aeroporto Internacional de Brasília e acendeu debates sobre segurança e diplomacia, conforme citado aqui no Gazeta Hora1. Operado pela Aviacon Zitotrans — empresa sancionada pelos Estados Unidos desde 2023 por transporte de cargas militares suspeitas —, o avião permaneceu isolado na Base Aérea por três dias, gerando especulações entre funcionários, entusiastas da aviação e parlamentares.

A aeronave, capaz de transportar até 60 toneladas de carga ou 145 soldados, chegou ao Brasil após sair de Moscou e fazer escalas no Azerbaijão, na Argélia e na Guiné. Sua presença foi percebida de longe por curiosos e fotógrafos, enquanto integrantes da Força Aérea Brasileira (FAB) e o governo mantinham sigilo sobre carga, missão e tripulação. Segundo a FAB, informações sobre o conteúdo são restritas ao operador do voo, e o Itamaraty reforçou que as sanções impostas pelos EUA não têm efeito legal no Brasil.

O mistério aumentou diante da ausência de autorização pública do Congresso Nacional para a presença de equipamento militar estrangeiro no país, como lembraram os senadores Marcio Bittar (União-AC) e Eduardo Girão (Novo-CE). Ambos protocolaram requerimentos junto ao Ministério da Defesa e ao Itamaraty para obter esclarecimentos. O caso trouxe à memória o episódio de 2023, quando navios militares iranianos atracaram no Rio de Janeiro, gerando atrito diplomático com Washington.

Crédito: Gazeta do Povo

Na noite de quarta-feira (13), o IL-76 deixou Brasília, fez escala em Santa Cruz, na Bolívia, e seguiu para Bogotá, na Colômbia. Na quinta-feira (14), pousou no Aeroporto de Caracas, na Venezuela, país aliado da Rússia e também alvo de sanções norte-americanas. A rota reforçou suspeitas sobre a natureza da missão, dado o histórico da Aviacon Zitotrans em transportar armamentos, peças para foguetes, drones e insumos nucleares.

Apesar do trajeto conhecido, o governo brasileiro não forneceu detalhes adicionais sobre a operação. Nos bastidores, integrantes da segurança nacional alertam para a importância de transparência em casos que envolvem aeronaves militares estrangeiras. Já para entusiastas da aviação, o episódio entra para a lista dos mais raros e intrigantes da história recente do aeroporto da capital.

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