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Brasil TAPA NA CARA

71 ministros, mais nobres que a nobreza: da família real a uma república de semideuses

Na monarquia, o Brasil sustentava uma família real. Na república, paga regalias a dezenas de autoridades que se comportam como uma aristocracia de toga

13/08/2025 às 07h36 Atualizada em 14/08/2025 às 11h18
Por: Wagner Albuquerque
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Imagem gereda por Inteligencia Artificial
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Quando proclamaram a República, venderam à população a ideia de que estávamos rompendo com privilégios da nobreza. O povo acreditou que os líderes passariam a viver como cidadãos comuns, sujeitos às mesmas regras e desconfortos do cotidiano. Mas o que vemos hoje é o oposto: criamos uma nova casta, maior e mais cara que a antiga família real, onde ministros de tribunais superiores vivem como se fossem figuras intocáveis, cercados de regalias incompatíveis com a realidade brasileira.

Agora sabemos que STF, STJ e TST gastam juntos mais de R$ 1,67 milhão por ano para que seus 71 ministros tenham acesso a salas VIPs exclusivas no Aeroporto de Brasília. Ali, eles desfrutam de concierge particular, estacionamento privativo e até translado exclusivo até a aeronave. Tudo pago pelo contribuinte, que enfrenta filas, atrasos e taxas absurdas quando viaja — se é que consegue viajar. É a república garantindo privilégios típicos de uma corte imperial, só que multiplicada por setenta e um.

O argumento da “segurança” é usado como escudo para justificar esses luxos. Mas onde estão os estudos que comprovam um risco real? Onde está a lógica em não simplesmente reforçar a segurança no embarque comum, como qualquer autoridade que respeite o dinheiro público faria? O Ministério Público junto ao TCU já questionou a legalidade e a economicidade desses contratos, lembrando que há salas VIP pagas e abertas ao público que poderiam ser usadas mediante reembolso. Mas parece que nossos ministros não querem apenas segurança — querem distinção.

Essa situação me causa indignação porque deixa claro o quanto nos afastamos da promessa republicana. Não se trata mais de proteger autoridades; trata-se de blindá-las do povo. Na monarquia, tínhamos uma família real. Hoje, temos uma corte de semideuses togados que custam muito mais caro e se colocam acima da população que deveriam servir. A República, que nasceu para nivelar, transformou-se em um sistema que ergue pedestais cada vez mais altos para seus “nobres”.

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Sobre Wagner Albuquerque é um jornalista multifacetado, com uma carreira marcada por passagens expressivas pela Band, onde atuou como editor, produtor, repórter e apresentador. Ao longo de sua trajetória, também esteve à frente da Direção de Jornalismo em diversos portais de destaque, sempre pautado pela ética e pela busca da informação de qualidade. Atualmente, é apresentador da TV Lupa1 e jornalista no portal Gazeta Hora1, onde se destaca pela credibilidade, visão analítica e compromisso com a relevância dos fatos que impactam o dia a dia do público.
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