
A Agência da União Europeia para o Asilo reconheceu a brasileira Isabella Cêpa, 29 anos, como perseguida política e concedeu a ela status de refugiada. A influenciadora, conhecida por críticas à ideologia de gênero, foi processada no Brasil após se referir à deputada federal Erika Hilton (Psol) — então vereadora de São Paulo — como homem, em publicação feita em 2020 no Instagram. O caso resultou em denúncia do Ministério Público de São Paulo com base na Lei do Racismo.
O processo, inicialmente arquivado a pedido do Ministério Público Federal por falta de tipificação criminal, foi reaberto e atualmente está no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Gilmar Mendes. Antes de deixar o país, Isabella chegou a ser impedida de embarcar para a Espanha, mas foi liberada após a polícia considerar a possibilidade de perseguição política. Desde então, vive fora do Brasil, sem residência fixa, e sob sigilo de localização.
O pedido de asilo foi formalizado em junho de 2025 e analisado ao longo de mais de 20 horas de entrevistas. O parecer europeu concluiu que há risco de punição ideológica e perseguição por motivos de opinião política e biológica. Segundo a relatora da ONU sobre violência contra mulheres, Reem Alsalem, ameaças e sanções a mulheres que expressam opiniões sobre sexo e gênero podem equivaler a perseguição e colocar vidas em risco.
Por questões de segurança, o país que acolheu a ativista não foi divulgado. De acordo com a ONG Matria Brasil, Isabella é a primeira mulher no mundo a obter refúgio por críticas à ideologia de gênero. Em nota, a influenciadora afirmou sentir “alívio, medo e gratidão” e declarou que o Brasil passou a figurar “no radar das democracias globais como um Estado de exceção em potencial”.
O episódio escancara a que ponto o Brasil chegou. Uma mulher, feminista, ver-se obrigada a deixar sua própria terra por discordar de uma ideologia de gênero é um retrato sombrio do nosso tempo. Até onde vamos permitir que a perseguição cale opiniões? O que aconteceu com a liberdade de expressão no nosso querido país, que sempre se orgulhou de ser democrático e plural?
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