
Com mais de quatro décadas de carreira, Gloria Perez construiu um legado marcado por tramas emocionantes, temas sociais relevantes e a apresentação de culturas estrangeiras ao público brasileiro. Autora de novelas icônicas como América, O Clone e Caminho das Índias — esta última vencedora do Emmy Internacional —, ela defende que inovar sempre exigiu correr riscos, algo que, segundo ela, se tornou praticamente impossível no cenário atual da teledramaturgia.
Perez acredita que a preocupação em não ofender grupos e o avanço do politicamente correto criaram uma forma de censura difusa e mais severa que a imposta durante a ditadura militar. “Antes, havia uma única censora. Hoje, cada pessoa nas redes sociais age como uma”, afirma. Para a autora, a cultura “woke” restringe a imaginação, elimina conflitos e esvazia a capacidade das novelas de provocar reflexão.
O rompimento com a Globo veio após o veto à sua novela Rosa dos Ventos, que abordaria aborto. A autora recusou-se a seguir no canal, alegando que perdeu a liberdade criativa. “Minha assinatura é lidar com temas delicados e trazer o público para a discussão. Se eu não puder fazer isso, eu acabo”, disse. Ela também criticou a tendência de remakes e avaliou que a relevância das novelas caiu tanto em audiência quanto em criatividade.
Mesmo afastada da TV, Gloria garante que não está aposentada. Após um período sabático para cuidar da saúde e da vida pessoal, afirma ter propostas para novos projetos e não descarta escrever para outras plataformas. “Ou eu tenho liberdade para voar, ou não tenho liberdade nenhuma”, resume a autora, que segue fiel à sua visão de que novela é, antes de tudo, feita de conflito.
BRASIL Brasil - A engrenagem da escassez: como o poder se alimenta da miséria
NEM TODOS ESTÃO? Cuidando do que importa?
SELEÇÃO Seleção do IBGE segue com inscrições abertas até 9 de julho no Piauí Mín. 20° Máx. 38°