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Brasil PERVERSÃO NO TERECÔ

“Limpar a língua”: 'Pai de santo' obrigava mulheres a fazerem sexo oral como cura 

Mulheres emocionalmente destroçadas encontram nos terreiros um novo algoz, disfarçado de guia espiritual

11/08/2025 às 16h07 Atualizada em 11/08/2025 às 16h37
Por: Douglas Ferreira
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O caso chocou Brasília e o Brasil - Foto: Reprodução
O caso chocou Brasília e o Brasil - Foto: Reprodução

O Brasil assiste, mês após mês, à repetição de um roteiro macabro: falsos líderes religiosos, travestidos de 'pais de santo', exploram a fragilidade emocional de mulheres para cometer crimes sexuais em nome de uma espiritualidade corrompida. Engana-se quem acredita que a prisão de “João de Deus” pôs fim ao capítulo mais sombrio de abusos praticados sob o manto da fé. Nos bastidores de inúmeros terreiros de macumba pelo país, a violência sexual segue viva — silenciosa, sistemática e cruel.

As vítimas não chegam aos terreiros por acaso. São mulheres quebradas pela vida: sobreviventes de violência doméstica, abusos na infância, lutos profundos e depressões incapacitantes. Procuram alívio, cura, esperança. Mas encontram predadores. Esses falsos líderes manipulam ritos, símbolos e a crença nos orixás para criar dependência emocional e psicológica, tornando-se juízes, conselheiros e carrascos de suas fiéis.

O caso de Renato Hudson Silva Alves, preso no Distrito Federal, é apenas a ponta do iceberg. Sob o argumento de “purificação espiritual”, ele obrigava mulheres a praticarem sexo oral alegando que precisava “limpar a língua” das frequentadoras. Em outras situações, impunha relações sexuais como suposta “organização mental” para as vítimas, muitas delas em crises depressivas severas. O cinismo ia além: ameaçava que, sem o “tratamento”, elas enlouqueceriam.

Durante dois anos, uma mulher foi estuprada repetidamente, cortada com navalhas durante rituais e impedida de manter qualquer relacionamento amoroso — tudo sob o pretexto de proteção espiritual contra forças invisíveis. Para despistar autoridades, o pai de santo mudava constantemente o endereço do terreiro, dificultando o rastreamento policial e a denúncia das vítimas.

A Polícia Civil batizou a operação que levou à prisão de Renato de Sórdida Oblatio“oferta impura”, em latim —, um nome que retrata fielmente a perversão da fé transformada em instrumento de tortura física, psicológica e sexual.

O padrão é claro e alarmante: líderes que confundem obediência religiosa com submissão sexual; mulheres que, buscando salvação, encontram mais um inferno; e uma sociedade que só reage quando um caso chega à imprensa, enquanto dezenas de outros continuam encobertos pelo medo, pela vergonha e pelo silêncio.

Não se trata de um ataque às religiões de matriz africana — cujas tradições e rituais autênticos nada têm a ver com esses crimes —, mas de uma denúncia urgente contra os charlatães que usam o sagrado e a "santeria", para violar corpos e almas. O Brasil precisa encarar essa realidade com a mesma indignação despertada por “João de Deus”, ou continuará permitindo que a espiritualidade seja sequestrada por predadores travestidos de guias espirituais.

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