
A esquerda brasileira adora se apresentar como a guardiã da democracia, da tolerância e da diversidade. Mas, na prática, o discurso muitas vezes contradiz a retórica. Duas figuras conhecidas do campo progressista deram declarações que em nada lembram “amor” ou “pluralidade”: o ex-presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, e o professor e dirigente comunista Mauro Iasi.
Felipe Santa Cruz, que já comandou a Ordem dos Advogados do Brasil, foi às redes sociais para comemorar a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. E não parou aí. Disse que o ex-presidente, em seu “mundo ideal”, deveria receber “pena de morte. Bala na nuca” — exatamente como se fazia em ditaduras comunistas de Cuba e China.
O advogado ainda debochou dos críticos, respondeu seguidores com palavrões e chamou de “festa” a medida judicial contra Bolsonaro. A postura surpreende porque, como ex-presidente da OAB, Santa Cruz deveria ser exemplo de equilíbrio e defesa do devido processo legal e do direito ao contraditório. Princípios que vêm sendo negados veementemente, notadamente, no Supremo Tribunal Federal.
E tem mais: recentemente, a Petrobras cancelou um contrato milionário com o escritório de Santa Cruz. Ele, em vez de reconhecer o desgaste que suas próprias atitudes trazem, disse que foi “retaliação” do governo — uma narrativa que não convenceu nem parte da esquerda.
Outro caso veio do professor Mauro Iasi, liderança do PCB. Em um discurso a militantes, Iasi leu versos de Bertolt Brecht que falam em “encostar o inimigo no paredão” e “matá-lo com uma boa bala”. O auditório aplaudiu.
Mesmo que Iasi diga que era apenas uma metáfora poética, o efeito é o mesmo: a legitimação da violência política. Em tempos de radicalização, ouvir um líder comunista falar em paredão não soa como literatura — soa como ameaça. A esquerda militande nada questiona, só ovaciona. Cegamente.
Esses episódios escancaram uma contradição que já não dá mais para esconder. Como pode um campo político que vive falando de “respeito”, “pluralidade” e “direitos humanos” abrigar figuras que pedem execução de adversários?
Pregam diversidade, mas não toleram o diferente.
Condenam o autoritarismo, mas defendem paredão.
Dizem amar a democracia, mas vibram com prisões arbitrárias.
Não estamos falando de “militantes aloprados”, com bem fala Lula da Silva, ou anônimos. Trata-se de pessoas com histórico, com estudo, letrado (lembrei do meu pai que dizia: esse é matriculado mas não frequenta) com poder de influência, líderes em suas categorias profissionais. Um ex-presidente da OAB, instituição que deveria ser o símbolo do Estado de Direito. Um professor universitário, dirigente de partido, aplaudido em auditório cheio.
A esquerda precisa decidir se é a força da democracia ou do ressentimento. O que Felipe Santa Cruz e Mauro Iasi demonstram é que, muitas vezes, o discurso de amor serve apenas como verniz para esconder um fundo de ódio e intolerância.
No fim das contas, a pergunta que fica é simples: que amor é esse que deseja a morte do próximo?
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