
Milhares de manifestantes saíram às ruas de ao menos 37 cidades brasileiras neste domingo (3) em protestos contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Organizados por lideranças da oposição, como o pastor Silas Malafaia, os atos pediram a anistia dos presos pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, o impeachment de Moraes e o fim do que classificam como "censura no Brasil". A ausência de Jair Bolsonaro, impedido judicialmente de sair de casa aos fins de semana, foi compensada por discursos inflamados de aliados e familiares do ex-presidente.
Na Avenida Paulista, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) pediu a prisão de Moraes e criticou as decisões do STF, afirmando que “tentaram calar um homem e levantaram milhões de vozes”. Em Belém, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou que “nasce hoje a reação a todas as injustiças praticadas pelo atual governo – o governo do sistema”. Já no Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro colocou o pai no viva-voz para uma rápida fala durante o ato em Copacabana, que contou com a presença do governador Cláudio Castro (PL).
A recente aplicação da Lei Magnitsky pelos Estados Unidos contra Alexandre de Moraes foi lembrada em diversos discursos e serviu como estopim para os protestos, reforçados por faixas, bandeiras americanas e mensagens de apoio ao ex-presidente Donald Trump. Parlamentares como Marco Feliciano, Gustavo Gayer e Paulo Bilynskyj acusaram Moraes de “revanchismo” e de agir como censor, além de criticar a atuação do governo Lula frente ao tarifaço imposto pelos EUA sobre produtos brasileiros.
Embora ausente dos palanques, Bolsonaro participou remotamente por videochamadas e foi homenageado por diversos aliados. O presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, e o deputado Sóstenes Cavalcante exaltaram a presença massiva de público. “Jamais esperei que hoje tivéssemos tanta gente para nos prestigiar”, disse Valdemar. As manifestações também serviram de palco para cobranças diretas ao Congresso, com exigências para que sejam pautados os pedidos de anistia e de impeachment de Moraes.
A mobilização foi marcada por forte presença de apoiadores vestindo verde e amarelo, críticas à condução do país e apelos emocionais por liberdade de expressão. Para muitos manifestantes, como a professora aposentada Paula Marsocchi e a manicure Norma Almeida, as sanções internacionais representam um “despertar” para que o Congresso e o Judiciário reavaliem suas ações. Com a ausência do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, por motivos médicos, os protestos evidenciam mais uma vez a tensão entre os poderes e a força de mobilização do bolsonarismo, mesmo após o fim do mandato presidencial.




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