Segunda, 13 de Julho de 2026
22°

Parcialmente nublado

Teresina, PI

Brasil BRIGA DE VIZINHO

O pedaço do Brasil que o Uruguai não aceita perder

Área no Rio Grande do Sul vira alvo de nova ofensiva diplomática uruguaia após instalação de usina de energia da Eletrobras

02/08/2025 às 16h12 Atualizada em 03/08/2025 às 22h04
Por: Wagner Albuquerque
Compartilhe:
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A paisagem tranquila dos Pampas gaúchos foi transformada pela instalação do Parque Eólico Coxilha Negra, com mais de 70 aerogeradores de até 125 metros de altura. A obra, concluída pela Eletrobras e em operação desde julho de 2024, reativou uma disputa diplomática adormecida entre Brasil e Uruguai. Localizado em Sant’Ana do Livramento, no Rio Grande do Sul, o parque fica na área conhecida como Rincão de Artigas, reivindicada pelo Uruguai desde 1934.

Com a usina já em funcionamento, o governo uruguaio enviou uma nota diplomática ao Brasil em junho deste ano, afirmando que a construção “não implica o reconhecimento do exercício da soberania do Brasil sobre o território”. O Itamaraty respondeu que o assunto será tratado por vias diplomáticas, mas manteve a posição histórica de que o Rincão de Artigas pertence ao Brasil. A divergência remonta a um suposto erro de interpretação geográfica na demarcação da fronteira, identificada por militares uruguaios na década de 1930.

Desde então, o Brasil reforçou sua presença na região com a criação da Vila Albornoz, em 1985, e rechaçou qualquer proposta de modificação territorial. A tensão havia se dissipado nas últimas décadas, mas voltou à tona com os investimentos de R$ 2,4 bilhões da Eletrobras no parque eólico. Com três conjuntos de usinas (Coxilha Negra 2, 3 e 4), a área de 8,4 mil hectares tem capacidade instalada de 302,4 MW, o suficiente para abastecer até 1,5 milhão de pessoas.

Os 72 aerogeradores, produzidos pela WEG no Brasil, têm rotores de 147 metros e pesam mais de 1,3 mil toneladas cada. Além do fornecimento e montagem, a empresa também é responsável pela operação e manutenção. Enquanto o parque simboliza um avanço energético para o Brasil, para o Uruguai ele representa um incômodo político que reacende uma disputa territorial quase centenária.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários