
No mesmo dia em que seu nome passou a figurar na lista de indivíduos sancionados pelos Estados Unidos por violações de direitos humanos e corrupção, Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, decidiu que nada melhor do que um bom jogo de futebol para relaxar. Foi à Neo Química Arena, acompanhado da esposa, para assistir ao clássico Corinthians x Palmeiras. Sorridente, acenou para o público e, incomodado com as vaias, respondeu com um gesto obsceno. Sim, um ministro da Suprema Corte do Brasil levantou o dedo do meio diante de uma multidão. A maturidade institucional no Brasil alcançou um novo patamar: o da comédia trágica.
O episódio em campo aberto contrastou com o que acontecia nos bastidores da diplomacia internacional: o bloqueio de contas, o cancelamento de vistos, o impedimento de entrada nos EUA e o nome do ministro brasileiro eternizado ao lado de agentes de regimes autoritários, lavadores de dinheiro e violadores sistemáticos dos direitos humanos. A famosa Lei Global Magnitsky, antes aplicada a oligarcas russos, traficantes, ditadores, estupradores e criminosos da pior espécie, agora inclui um togado do “país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza”. E como reage o magistrado? Com o velho e universal símbolo de quem perdeu o argumento, mas não o ego.
Enquanto Moraes faz gestos no estádio, seu colega Luís Roberto Barroso tenta conter o incêndio institucional dizendo que o STF age dentro da legalidade. Nada como uma declaração ponderada enquanto se tenta explicar ao mundo como uma Corte Suprema inteira teve seus vistos americanos revogados. E, claro, fica difícil sustentar a moral elevada quando detalhes de um apartamento milionário em Miami, ligado à família do próprio Barroso, vêm à tona — e que agora também pode cair na malha fina das sanções. Um “coincidentemente” revelador.
Alexandre está nu. E careca. Mas não é a calvície o que mais chama atenção, e sim o fato de que, mesmo desmascarado internacionalmente, ele segue em campo, posando de justiceiro e debochado, sem se importar com os sinais de colapso institucional. O gesto obsceno é mais do que um ato impulsivo: é uma metáfora viva de um poder que perdeu qualquer noção de decoro, empatia ou responsabilidade. E enquanto o Brasil ri nervosamente, o resto do mundo começa a se perguntar se ainda existe alguma roupa institucional nesse baile de máscaras togadas.
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