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Saúde VACINAÇÃO

Hepatites virais: a urgência de enxergar o invisível

Em tempos de desinformação, negacionismo e descaso com a ciência, lembrar que hepatite B tem vacina e que hepatite C tem tratamento eficaz é quase um ato de resistência.

30/07/2025 às 14h31
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Em um país que frequentemente reage às doenças apenas quando elas já causaram danos profundos, ações de prevenção como a que será realizada nesta quinta-feira (31) pela Fundação Municipal de Saúde (FMS) de Teresina e pela Secretaria Estadual de Saúde do Piauí (SESAPI) merecem ser não só valorizadas, mas amplamente replicadas. A mobilização, que acontecerá na Praça da Bandeira, das 8h às 12h, em alusão ao Dia Nacional de Combate às Hepatites Virais, oferece testagem rápida para hepatite B e C, HIV, sífilis e vacinação para diferentes doenças — tudo de forma gratuita e acessível à população.

É exatamente esse tipo de iniciativa que escancara o papel indispensável do Sistema Único de Saúde (SUS) e do poder público na construção de uma sociedade mais saudável. Em tempos de desinformação, negacionismo e descaso com a ciência, lembrar que hepatite B tem vacina e que hepatite C tem tratamento eficaz é quase um ato de resistência.

As hepatites virais, silenciosas na maioria dos casos, afetam o fígado e podem evoluir para complicações gravíssimas, como cirrose e câncer hepático. E o mais alarmante: muitas pessoas convivem com o vírus sem saber. Segundo especialistas como a Dra. Amparo Salmito, gerente de epidemiologia da FMS, é justamente o desconhecimento que transforma essas doenças em ameaças invisíveis.

Por isso, ações como a desta quinta-feira vão além de testes e vacinas — elas representam um convite à responsabilidade coletiva com a própria saúde e a saúde do outro. Ainda assim, é preciso reconhecer que uma manhã de mobilização, por mais relevante que seja, não substitui políticas públicas contínuas e efetivas de prevenção, diagnóstico e tratamento. O combate às hepatites virais exige investimento permanente em informação, acesso, acolhimento e estrutura.

A coordenadora de vacinação da FMS, Emanuelle Dias, reforça que a vacina contra hepatite B está disponível a todas as pessoas que não têm registro anterior da imunização. O mesmo vale para as vacinas contra gripe, COVID-19, difteria-tétano e tríplice viral, que também serão ofertadas no local — prova de que a saúde preventiva é um pacote que precisa ser levado a sério.

Em um cenário onde o adoecimento coletivo muitas vezes se impõe pela negligência individual e institucional, escolher se vacinar e se testar é, também, um ato de consciência e cidadania. Combater as hepatites virais é enxergar o que muitos fingem não ver: que o cuidado com a saúde pública começa na informação, mas se concretiza na ação.

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