
O bombeiro civil Remi Francisco Oliveira de Brito, 39 anos, morreu carbonizado na noite de domingo (27) durante as gravações do filme "Bom Futuro", na zona rural de Porto Velho (RO). Experiente em prevenção e combate a incêndios, Remi era responsável pela operação de segurança de uma cena que previa a queima controlada de uma residência cenográfica.
Segundo a ocorrência policial, tudo saiu do controle em segundos. Durante um teste com o equipamento de efeitos especiais, houve uma explosão repentina, seguida de um incêndio de grandes proporções. Três pessoas conseguiram escapar, com queimaduras, mas Remi ficou preso na estrutura e não resistiu.
A pergunta é: como um bombeiro, justamente treinado para lidar com fogo, pôde morrer em um acidente desse tipo? A resposta aponta para a imprevisibilidade do trabalho com efeitos especiais envolvendo fogo real. A perícia vai investigar se houve falha técnica, erro humano ou negligência nos protocolos de segurança.
A produção do filme informou que havia contratado uma empresa especializada e licenciada para conduzir a operação. Em nota, lamentou a perda e disse que todos os procedimentos legais estavam sendo cumpridos. Ainda assim, o acidente escancara uma realidade: o risco de morte em cenas que insistem em usar fogo real em vez de recursos digitais.
O caso, tratado pela Polícia Civil como incêndio culposo com resultado morte, abre uma discussão maior: até que ponto o cinema brasileiro está preparado para lidar com produções que envolvem riscos extremos? E, mais grave ainda, por que insistir no realismo da chama quando a tecnologia já permite recriar o fogo sem queimar vidas?
Remi Francisco deixa não apenas o luto da família e dos amigos, mas também a marca de um sacrifício que poderia ter sido evitado. O espetáculo ficou em cinzas - e a tragédia expôs a fragilidade entre a ilusão da arte e a realidade da morte.
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