
Na noite desta segunda-feira (28), uma jovem de 28 anos, moradora da comunidade Aparecida, zona rural de São João da Canabrava (PI), foi vítima de uma tentativa de feminicídio. Segundo a Polícia Militar, o ex-companheiro da mulher, L. C. C. de A., de 49 anos, invadiu sua residência e efetuou um disparo de arma de fogo na região abdominal da vítima. O motivo? Ele não aceitava o fim do relacionamento, encerrado há dois meses.
A vítima está internada na UTI após passar por cirurgia no Hospital Regional Justino Luz. Mesmo gravemente ferida, ela teve força para acionar a polícia e identificar o agressor, que segue foragido. Detalhe importante: o homem já a perseguia e monitorava seus passos desde o fim do relacionamento. Era um alerta claro de risco.
Casos como esse não são exceção — são rotina. O Brasil registra, em média, um feminicídio a cada sete horas, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Isso significa que mulheres continuam sendo assassinadas simplesmente por decidirem seguir com suas vidas, longe de parceiros abusivos.
A pergunta que se impõe é: o que estamos fazendo com esses sinais evidentes? Por que ainda não levamos a sério o comportamento de homens que vigiam, ameaçam e perseguem suas ex-companheiras? Em muitos casos, como o desta jovem, as vítimas são obrigadas a suportar o medo constante, até que a tragédia se consuma ou quase.
Não se trata de um “crime passional”. Trata-se de uma estrutura machista que condiciona homens a acreditarem que têm posse sobre os corpos, as vontades e os destinos das mulheres. Quando essa “posse” é desafiada, a violência explode.
É urgente que a sociedade deixe de tratar o feminicídio como um “crime do calor do momento” e passe a enxergá-lo como o que realmente é: a face mais extrema do controle e da opressão de gênero. Além disso, é preciso garantir que mulheres tenham acesso real e eficaz a medidas protetivas, especialmente em áreas rurais, onde o isolamento aumenta o risco.
A jovem de São João da Canabrava sobreviveu, por enquanto. Mas até quando mulheres precisarão sobreviver para que sejamos capazes de mudar esse cenário?
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