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A urgência da alfabetização midiática e informacional na era da desinformação

A formação para o consumo consciente de informação deve ser incorporada às políticas públicas, às diretrizes educacionais e aos códigos de conduta das plataformas digitais.

28/07/2025 às 16h00
Por: Campelo Filho
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Vivemos um tempo em que a verdade compete com narrativas fabricadas, vídeos manipulados e manchetes que priorizam o engajamento em vez da precisão. Na era da desinformação, a capacidade de acessar e interpretar conteúdos digitais tornou-se mais que essencial: é uma responsabilidade. Nesse contexto, a alfabetização midiática e informacional deixa de ser um diferencial e passa a ocupar o centro do debate sobre democracia, cidadania e segurança digital.

O artigo “Por que a alfabetização midiática e informacional é essencial na era da desinformação”, publicado na página do Fórum Econômico Mundial  aborda o tema e reconhece essa competência como indispensável para a proteção do discurso democrático, da coesão social e da confiança pública.

O texto destaca cinco pontos que merecem reflexão. Primeiro, a crescente complexidade do ambiente informacional, moldado por curadorias algorítmicas, incentivos comerciais e tecnologias como a inteligência artificial generativa. Segundo, o reconhecimento de que a alfabetização midiática e informacional vai além da alfabetização midiática tradicional. Ela é prioridade global e seu alcance deve ir além da escola e da juventude, abrangendo alfabetização digital em direitos humanos, notícias, publicidade, informática, privacidade e inteligência artificial (IA). Terceiro, a proposta de um novo modelo de resiliência, baseado na combinação entre o ciclo de vida da desinformação e o modelo socioecológico. Quarto, a constatação de que os esforços atuais seguem fragmentados e pouco inclusivos, especialmente no que diz respeito à formação continuada de adultos. E, por fim, a defesa de soluções coordenadas, envolvendo todos os níveis sociais, do indivíduo ao Estado.

Sobre o assunto, vale citar a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Assegurada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), ela estabelece competências essenciais para a educação básica, entre elas a Cultura Digital, voltada para o desenvolvimento da educação midiática, que busca promover o acesso atualizado e a produção consciente de conteúdos, além de estimular o protagonismo jovem. Trata-se de “compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva”. (BNCC, 2017, p. 9).

Essa diretriz demonstra que a alfabetização midiática deve ser um compromisso não apenas institucional, mas curricular. Afinal, não basta investir em conectividade se não capacitarmos as pessoas a discernirem o que consomem. A desinformação não é apenas uma falha de conteúdo, mas um risco estrutural à integridade informacional, à reputação de indivíduos e instituições e ao próprio Estado de Direito.

A formação para o consumo consciente de informação deve ser incorporada às políticas públicas, às diretrizes educacionais e aos códigos de conduta das plataformas digitais. Isso implica integrar a alfabetização midiática a currículos escolares, treinamentos profissionais e estratégias de comunicação institucional. Implica também compreender que o combate à desinformação não pode recair exclusivamente sobre o usuário: é dever compartilhado de educadores, empresas, jornalistas, desenvolvedores e legisladores.

Recomendo a leitura do artigo completo do Fórum Econômico Mundial para quem deseja compreender os caminhos possíveis para enfrentar um dos maiores desafios contemporâneos. O combate à desinformação começa com a educação, e educar, hoje, é também ensinar a desconfiar, investigar, comparar e questionar.

Para ler o artigo completo, acesse AQUI!

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Sobre Francisco Soares Campelo Filho é advogado empresarial, professor, escritor e palestrante. É pós-doutor em Direito e Novas Tecnologias pelo Mediterranea International Centre for Human Rights Research, em Reggio Calabria, Itália. Doutor em Direito e Políticas Públicas pela UNICEUB, em Brasília-DF, Brasil, com cursos de extensão em ESG, Inovação e Transformação Tecnológica pela Sorbonne, em Paris, França, e em Proteção de Dados e Inteligência Artificial pela Faculdade de Jurisprudência da Universidade Sapienza, em Roma, Itália. Mestre em Direito Público pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), no Rio Grande do Sul, Brasil. É membro consultor da Comissão Especial de Proteção de Dados do Conselho Federal da OAB, diretor do Serviço Social do Comércio (SESC), Administração Regional do Estado do Piauí, e conselheiro do Serviço de Apoio às Pequenas e Microempresas (SEBRAE), representando a Federação do Comércio do Estado do Piauí (FECOMERCIO).
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