Segunda, 13 de Julho de 2026
22°

Parcialmente nublado

Teresina, PI

Brasil BRASIL É DA CHINA

Banco Master entra no sistema de pagamentos da China e reforça laços com o país asiático

Instituição é a única da América Latina a aderir ao Cips, alternativa chinesa ao sistema financeiro baseado no dólar

25/07/2025 às 10h47 Atualizada em 28/07/2025 às 22h18
Por: Wagner Albuquerque
Compartilhe:
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O Banco Master anunciou sua adesão ao Cross-Border Interbank Payment System (Cips), a plataforma interbancária criada pela China para facilitar transações financeiras internacionais em moedas diferentes do dólar, com foco no renminbi — nome oficial da moeda chinesa, cuja unidade é o iuane. Com isso, o banco se torna o primeiro da América Latina a integrar o sistema, ampliando as possibilidades de operação direta entre Brasil e China, sem a intermediação de instituições baseadas nos Estados Unidos.

Criado em 2015 pelo Banco Popular da China, o Cips tem como objetivo fortalecer o uso internacional do iuane e reduzir a dependência global da infraestrutura dominada pela Swift — sistema que conecta instituições financeiras para transferências internacionais. Atualmente, mais de mil instituições em cerca de cem países utilizam o Cips, que cresce em volume de transações a cada ano. Para o Banco Master, a adesão representa uma estratégia para facilitar o fluxo de investimentos e o comércio bilateral. “É uma forma de aproximar as duas moedas e acelerar os negócios entre os países”, afirmou Felipe Wallace Simonsen, head de câmbio do banco.

A iniciativa também reflete uma tendência mais ampla entre países emergentes, especialmente os membros do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que buscam reduzir a dependência do dólar em suas transações. O uso de moedas locais ou regionais tem sido estimulado por motivos econômicos e geopolíticos, como a redução de custos cambiais e a proteção contra sanções unilaterais. Economistas apontam que essa diversificação fortalece a autonomia financeira dos países e representa uma evolução rumo a um sistema global mais descentralizado.

No comércio com a China — principal parceiro econômico do Brasil —, o uso do iuane vem crescendo. Em 2024, a balança comercial entre os dois países superou US$ 188 bilhões. No primeiro semestre de 2025, o Brasil teve um fluxo cambial negativo de quase US$ 10 bilhões, evidenciando a importância de alternativas para reequilibrar as transações financeiras. Para o economista Paulo Gala, a entrada do Banco Master no Cips é um sinal de adaptação à nova ordem econômica multipolar, onde emergentes ganham protagonismo e moldam as regras do jogo financeiro global.

E o Trump?

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários