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Empreender no Piauí: um ato heroico em meio ao caos burocrático

Pequenos empresários enfrentam impostos altos, desigualdade e um ambiente hostil que sufoca inovação e empregos; especialistas cobram políticas mais justas e eficientes

23/07/2025 às 16h23
Por: Redação GH1 Fonte: Arthur Feitosa
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Empreender no Piauí: um ato heroico em meio ao caos burocrático

Por Arthur Feitosa

Empreender no Piauí é como atravessar um campo minado: exige coragem, persistência e uma boa dose de resiliência. Em vez de impulsionar a economia e valorizar quem gera empregos, o estado impõe uma das cargas tributárias mais pesadas do Brasil e mantém um ambiente hostil para quem tenta abrir ou manter um negócio. Pequenas empresas, que deveriam ser o motor da economia local, estão em constante risco de fechamento diante de burocracia excessiva, concorrência desleal e desigualdade de condições.

Segundo dados do Sebrae, metade das empresas brasileiras fecha antes de completar dois anos. No Piauí, essa realidade é ainda mais cruel. O ICMS cobrado aqui é o segundo maior do país, um fardo que pesa tanto sobre os consumidores quanto sobre os empresários locais. O resultado é previsível: produtos piauienses perdem competitividade frente aos de outros estados ou importados, enquanto empresários relatam dificuldades para investir, crescer ou até mesmo manter suas portas abertas.

Para os empreendedores piauienses, a luta não é apenas contra impostos altos. É também contra a concorrência desigual tanto de grandes corporações quanto de produtos estrangeiros que chegam ao mercado sem as mesmas exigências fiscais e trabalhistas que as pequenas empresas precisam cumprir. Além disso, há os privilegiados do sistema, os chamados “amigos do rei”: empresários com boas conexões políticas que recebem isenções e benefícios negados ao cidadão comum.

Essa desigualdade gera um profundo desânimo entre aqueles que tentam prosperar por mérito próprio. Muitos relatam que a burocracia é quase insustentável. Alvarás, licenças e registros dependem de processos lentos, caros e muitas vezes obscuros. O que deveria ser simples se transforma em uma maratona de papeladas, taxas e espera ambiente fértil para a informalidade ou para a desistência total.

O impacto desse descaso não é sentido apenas pelos empresários, mas por toda a sociedade. Menos empresas significa menos empregos, menos renda circulando e menos inovação. O ciclo de estagnação empobrece a economia e mantém o Piauí preso a um modelo atrasado e desigual.

Enquanto isso, estados vizinhos como o Ceará se destacam por políticas públicas que protegem e incentivam os empreendedores locais. Um executivo de uma grande empresa nacional chegou a dizer que, no Ceará, “as regras tributárias protegem as empresas locais”, garantindo maior competitividade às pequenas e médias empresas. O contraste expõe uma verdade incômoda: falta visão de longo prazo à gestão pública do Piauí.

O que precisa mudar:

A situação do Piauí não é irreversível, mas exige uma mudança urgente de mentalidade. Especialistas defendem medidas como:

Reforma tributária estadual, com redução do ICMS para estimular o consumo e baratear os produtos locais.

Desburocratização radical, com a digitalização plena de processos e eliminação de exigências desnecessárias.

Combate aos privilégios, com revisão de isenções concedidas a grandes empresas sem contrapartidas claras.

Políticas de incentivo real, como acesso facilitado a crédito, capacitação técnica e apoio à inovação.
Além disso, o empreendedorismo precisa deixar de ser tratado como “favores a pequenos negócios” e passar a ser reconhecido como política de Estado. Os pequenos e médios empresários não querem esmolas: querem apenas condições justas de competir, gerar empregos e inovar.

É dever do poder público estadual criar um ecossistema favorável ao empreendedor. E isso não se faz apenas com discursos em solenidades ou promessas de campanha. É preciso ação, coragem para romper com estruturas obsoletas e disposição para ouvir quem está na linha de frente: os próprios empreendedores.

A sociedade civil também precisa se mobilizar: pressionar o governo por políticas justas, apoiar redes de associações empresariais e investir em educação empreendedora para preparar novas gerações para os desafios do mercado.

O Piauí tem tudo para ser um polo de inovação e crescimento no Nordeste: mão de obra disposta, recursos naturais e uma população criativa. Mas, para isso, precisa abandonar práticas arcaicas, modernizar suas instituições e tratar o empreendedor como parceiro estratégico — e não como inimigo a ser combatido.

Enquanto isso não acontece, seguimos assistindo aos pequenos negócios e os empregos que eles geram escoarem pelo ralo de uma burocracia sufocante e de um sistema que privilegia poucos às custas de muitos. Outro fenômeno recorrente é a migração de nossos jovens para outros estados que lhes oferecem melhores condições de sobrevivência. O Piauí perde habitantes a taxas alarmantes perde força produtiva, inovação e futuro.

Apesar de tudo, o empreendedor piauiense resiste. Ele é, antes de tudo, um sobrevivente. Mas não deveria ser assim. Não deveríamos esperar que a força de vontade individual compense a omissão do Estado. Para mudar esse cenário, é preciso vontade política, união da sociedade e um novo olhar sobre quem realmente movimenta a economia.

Se quisermos um Piauí mais justo, competitivo e desenvolvido, é hora de parar de punir quem quer produzir e começar a construir com urgência um ambiente que premie o esforço, a inovação e o mérito.

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Sobre Arthur Feitosa - Executivo e articulista político do portal Gazeta Hora1
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