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Morte de Preta Gil acende alerta para o avanço do câncer colorretal em jovens

Tradicionalmente associado a pessoas mais velhas, o câncer colorretal passou a atingir cada vez mais jovens nas faixas dos 20, 30 e 40 anos.

21/07/2025 às 13h31
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Reprodução/Redes Sociais
Reprodução/Redes Sociais

A morte da cantora Preta Gil, aos 50 anos, nesse domingo (20), em Nova York, repercutiu em todo o país e trouxe à tona uma preocupação crescente no meio médico: o aumento expressivo dos casos de câncer colorretal entre jovens adultos com menos de 50 anos. Diagnosticada em janeiro de 2023 com um tumor agressivo no intestino grosso, Preta iniciou tratamento no Brasil e, mais recentemente, buscava terapias experimentais nos Estados Unidos. A doença, no entanto, evoluiu com recidiva e metástases em regiões como gânglios linfáticos, peritônio e ureter, o que dificultou as chances de cura.

Câncer colorretal entre jovens: uma realidade cada vez mais comum

Tradicionalmente associado a pessoas mais velhas, o câncer colorretal passou a atingir cada vez mais jovens nas faixas dos 20, 30 e 40 anos. A forma como a doença se manifesta nesse público costuma ser mais agressiva, e os diagnósticos tendem a ocorrer tardiamente — muitas vezes quando o tumor já está em estágio avançado. Os sintomas, que incluem sangue nas fezes, alterações no hábito intestinal, dores abdominais persistentes, perda de peso inexplicada e sensação de evacuação incompleta, são frequentemente ignorados ou confundidos com outros problemas gastrointestinais.

Dados da American Cancer Society indicam um aumento de 79% na incidência da doença em jovens nas últimas três décadas. No mesmo período, as mortes cresceram cerca de 28%. No Brasil, o câncer colorretal já é o segundo tipo de tumor que mais mata, ficando atrás apenas do câncer de pulmão.

Fatores de risco e desafios no diagnóstico

Além da predisposição genética, que representa aproximadamente 6% dos casos, os especialistas apontam fatores comportamentais e ambientais como possíveis causas do crescimento entre os mais jovens. Entre eles, estão o sedentarismo, a obesidade, o consumo frequente de alimentos ultraprocessados e carnes processadas, o álcool em excesso, o tabagismo e o desequilíbrio da microbiota intestinal. A exposição a substâncias cancerígenas no meio ambiente também é uma hipótese em estudo.

O legado de Preta Gil e as barreiras do sistema de saúde

A trajetória de Preta Gil escancarou outra face da luta contra o câncer: as desigualdades no acesso a tratamentos modernos e medicamentos de última geração. Enquanto buscava alternativas nos Estados Unidos, muitos pacientes brasileiros enfrentam um sistema onde o rastreamento para o câncer colorretal ainda é pouco disseminado — especialmente na rede pública.

O tempo médio para aprovação de medicamentos oncológicos pela Anvisa é quase o dobro do registrado pela FDA, a agência reguladora dos EUA. Além disso, o número de brasileiros incluídos em ensaios clínicos ainda é limitado, dificultando o acesso às inovações terapêuticas.

Preta Gil lutou até o fim com coragem, deixando uma mensagem potente sobre a importância do diagnóstico precoce, da escuta atenta aos sinais do corpo e da luta por um sistema de saúde mais justo e acessível.

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