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Editorial FAVAS CONTADAS

Empresários que se calam sobre política abrem mão do futuro dos próprios negócios

Quando lideranças empresariais se calam ou se refugiam na “neutralidade”

19/07/2025 às 11h05 Atualizada em 19/07/2025 às 12h42
Por: Redação GH1 Fonte: Arthur Feitosa
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Empresários que se calam sobre política abrem mão do futuro dos próprios negócios

Empresários e lideranças de entidades — sejam associações de classe, cooperativas ou qualquer outro formato associativo — não podem mais se limitar a discutir apenas temas técnicos, econômicos ou setoriais. É ilusório imaginar que é possível crescer, inovar ou proteger ativos ignorando o ambiente político. As decisões do Legislativo, Executivo e Judiciário moldam o terreno onde o setor produtivo opera. Não basta ler indicadores de mercado: é preciso observar o cenário institucional com o mesmo senso de urgência.

Políticas públicas e decisões judiciais — mesmo aquelas aparentemente distantes do mundo empresarial — podem produzir impactos profundos e muitas vezes irreversíveis. Quando se naturaliza a violação do devido processo legal, como a imposição de tornozeleira eletrônica a um ex-presidente antes do trânsito em julgado, abre-se um precedente perigoso. Não se trata de defender ou atacar indivíduos, mas de compreender que a flexibilização de garantias legais enfraquece o Estado de Direito — e, com ele, a livre iniciativa. Hoje é um político. Amanhã pode ser qualquer cidadão. Ou um empresário.

A omissão e a subserviência do setor produtivo diante dos poderes constituídos são ameaças reais ao desenvolvimento. Quando lideranças empresariais se calam ou se refugiam na "neutralidade", renunciam ao protagonismo, abrem mão de influenciar o jogo e se tornam reféns das decisões de outros atores. Perdem representatividade, poder de articulação e acabam aceitando como normais medidas que, em contextos mais saudáveis, seriam amplamente questionadas.

Empreender é um ato de coragem, de transformação social. É assumir riscos, gerar empregos, imaginar futuros. Exige, também, responsabilidade cívica. Fingir que a política “não nos diz respeito” é permitir que decisões cruciais fiquem nas mãos de quem nem sempre defende a ética, a liberdade ou a produtividade.

Não se avança — nem se consolida — nenhum projeto associativo sério ignorando a influência direta dos três poderes. O empreendedor precisa deixar de ser apenas um agente econômico e tornar-se também um agente político e cívico. É hora de cobrar respeito às instituições, mas também de exercer vigilância ativa. Submissão não é estabilidade. Silêncio não é prudência.

O poder

Porque tudo, cedo ou tarde, esbarra nele?

E o poder é curioso.
Não chega com manual de instruções nem bula de advertência.
Apenas chega — muitas vezes rápido demais — e, para alguns, parece um presente dos deuses.
Basta um crachá mais vistoso, uma cadeira que gira ou um título pomposo para mudar o tom de voz, o olhar, a paciência.

Achamos, por exemplo, que os dias de prisão transformariam Lula num conciliador.
Que a experiência dura o teria deixado mais leve, mais disposto a unir.
Engano nosso.
Voltou ao poder mais pesado, fechado, rápido no revide e lento no perdão.

No Piauí, o jovem Rafael Fonteles parecia carregar energia e promessas de inovação.
Dois anos e meio depois, entrega menos do que fala — e fala mais do que consegue entregar.
A pose de moderninho virou um “peito de pombo” inflado demais para a entrega que oferece.

Mas não pense que isso só acontece em Brasília ou no Karnak.
Está na repartição, no sindicato, no prédio, no grupo do WhatsApp.
O poder, mesmo pequeno, sobe à cabeça de quem já estava predisposto a se perder.

Porque o poder não santifica ninguém — só revela.
O gentil permanece gentil. O egoísta, com um pouco de poder, vira déspota.
E nada mais patético do que quem usa o poder para se promover e humilhar.

A boa notícia é que o contrário também existe:
Gente que cresce e não perde a humildade.
Que entende que o poder é instrumento de serviço, não de vaidade.
Que sabe que o cargo é só uma travessia — e que sair dele com dignidade é mais importante do que usá-lo para impor medo.

Então, se um dia a vida lhe entregar um microfone, um carimbo ou uma caneta que decide coisas, aproveite para ser grande — sem ser arrogante.
Porque a cadeira pode até girar, mas quem não gira junto com ela é quem sai aplaudido.

Afinal, ninguém precisa ser um rei sem reino, quando pode ser, ao menos, um cidadão com consciência.

E lembre-se: o poder é só um empréstimo. O que fica mesmo é a forma como você tratou os outros enquanto o teve nas mãos.

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