
Há crimes que revoltam. Outros que entristecem. Mas alguns são tão grotescos que nem a crônica policial mais acostumada às tragédias é capaz de descrever sem espanto. Foi o que aconteceu no Rio de Janeiro esta semana, num caso que revelou o quão cruel - e monstruoso - um ser humano pode ser diante de dilemas éticos, morais e sexuais.
O cenário é um apartamento comum, em um bairro do Rio. Dentro dele, dois jovens que diziam ser amigos. Mas essa amizade tinha um lado sombrio e inexplicável. Bruno Guimarães da Cunha Chaves, 30 anos, confessou ter assassinado e esquartejado o próprio amigo, Thiago Lourenço Morgado, 33, após, segundo ele, ter sido estuprado pela vítima.
Só essa narrativa já seria perturbadora. Mas Bruno foi além da selvageria. Depois de matar Thiago, esquartejou o corpo, guardou partes numa geladeira e chegou a triturar outros pedaços no liquidificador, jogando restos pelo vaso sanitário numa tentativa absurda de se livrar do cadáver.
O crime teria acontecido no domingo, dia 13, após uma discussão. Por três dias, o acusado conviveu com o corpo do “amigo” armazenado como carne em um frigorífico doméstico até ser descoberto nesta quarta-feira (16), quando a polícia encontrou os restos mortais.
Bruno foi preso e vai responder por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Alegou que agiu em surto, tomado pelo ódio após ter sido supostamente violentado sexualmente por Thiago. A polícia ainda investiga as circunstâncias deste suposto estupro, mas o caso já entra para a história recente como um dos mais bárbaros e bizarros crimes passionais do Rio.
O que leva alguém a tamanha brutalidade? Até onde a raiva ou a vergonha podem deformar a mente humana a ponto de transformar um amigo em inimigo e, mais que isso, em alimento para o ódio?
São perguntas que ecoam para além das manchetes. E a resposta, por enquanto, só confirma uma dura verdade: a violência quando atravessa limites éticos e morais não conhece fundo do poço. O ser humano, infelizmente, pode ser capaz de tudo - até mesmo do impensável.
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