
Após uma suspensão inesperada, a Casa Apis, sediada em Picos (PI), conseguiu retomar o envio de contêineres de mel aos Estados Unidos. As cargas já estavam no Porto do Pecém, no Ceará, quando os clientes solicitaram o adiamento da exportação. Segundo o presidente da Casa Apis, Sitônio Dantas, o embarque foi liberado após negociações baseadas na parceria de mais de 15 anos com os compradores norte-americanos.
A operação, no entanto, continua sendo uma corrida contra o tempo. Com a divisão da carga entre diferentes navios e rotas, parte do mel pode chegar aos EUA já após o dia 1º de agosto, quando entra em vigor a nova tarifa de 50% imposta pelo governo americano. “Alguns lotes devem chegar antes da data, mas outros podem desembarcar depois. Mesmo assim, os clientes assumiram esse risco em resposta à nossa solicitação”, afirmou Sitônio. Os compradores, no entanto, seguem exigindo que a entrega ocorra antes da nova taxação.
Apesar da suspensão inicial, os contratos comerciais seguem válidos até dezembro. A expectativa da Casa Apis é exportar cerca de mil toneladas de mel até o fim do ano, além das mil toneladas já enviadas no primeiro semestre. Caso a tarifa seja mantida, exportadores e importadores já estudam alternativas para dividir os custos e manter os negócios viáveis. “Se permanecer 50%, o consenso é dividir a despesa entre as partes”, explicou Sitônio.
Além do impacto tarifário, o setor enfrenta uma seca severa que deve reduzir a produção em até 40% em 2025. “A estiagem comprometeu nossa safra. Agora temos que torcer por um desfecho positivo”, declarou Sitônio. Em 2024, o Piauí liderou o ranking brasileiro de exportações de mel para os EUA, que consomem cerca de 80% da produção nacional.
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