
Diz o ditado que quem fala o que quer ouve o que não quer. E Fernando Haddad, ministro da Fazenda, parece ainda não ter aprendido essa lição. Depois de insinuar que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, agia como “vassalo” dos Estados Unidos, Haddad ouviu em alto e bom som o troco: “Cabe a ele falar menos e trabalhar mais”.
A resposta veio nesta quinta-feira (10/7), durante uma cerimônia em São Paulo, onde Tarcísio criticou duramente a condução da política econômica do governo Lula (PT) e acusou Haddad de se perder em ataques pessoais em vez de enfrentar a crise fiscal e a ameaça de novas tarifas americanas ao Brasil.
“Ele tem que cuidar da economia. Se ele cuidasse da economia, ele estaria indo bem. O Brasil não está indo bem, a gente tem um problema fiscal enorme. Então, acho que cabe a ele falar menos e trabalhar mais”, disparou Tarcísio, deixando claro seu descontentamento com a gestão petista.
A rusga começou quando Haddad, em entrevista ao Canal do Barão, ironizou o alinhamento de Tarcísio com Donald Trump - que anunciou um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros - e questionou se o governador queria ser “presidente ou vassalo”.
Para Tarcísio, a declaração de Haddad é mais uma prova do isolamento diplomático do Brasil sob Lula. Ele criticou a falta de diálogo com Washington e defendeu a abertura de uma mesa de negociação para evitar prejuízos à indústria paulista e à Embraer, duramente atingidas pelas tarifas.
“Os americanos sempre foram aliados de primeira hora do Brasil. É o maior investidor estrangeiro direto no Brasil. E hoje, entre os países do G20, o mais afastado da Casa Branca é justamente o Brasil”, reforçou o governador, em tom ácido.
Tarcísio ainda alfinetou a diplomacia brasileira nos BRICS e lembrou que São Paulo é o maior polo exportador industrial para os Estados Unidos. “O impacto é negativo e precisamos resolver isso com urgência”, disse, defendendo a reaproximação com os americanos.
Com um boné Make America Great Again já estampado em suas redes sociais desde a posse de Trump, Tarcísio não esconde sua afinidade com o republicano. Agora, faz dessa crise um palanque para mirar mais alto e se colocar como voz crítica à política econômica do PT.
Enquanto isso, Haddad, apelidado nas redes de “Taxaad”, acumula cobranças por sua incapacidade de conter a inflação, equilibrar as contas públicas e enfrentar o tarifaço americano. Detalhe: o aumento da taxa de exportação eleva o dólar que faz a inflação disparar. É esperar para ver.
A tensão entre os dois nomes promete novos capítulos - e expõe, mais uma vez, o desgaste do governo federal com sua própria oposição interna. Já a externa, fica para outra análise.
CRISE ECONÔMICA Quebradeira empresarial: Brasil termina primeiro semestre com 6,3 mil empresas em recuperação judicial
GUERRA COMERCIAL Brasil perde força no braço de ferro com os EUA e Lula agora tenta reabrir canal com Trump
MERO JOGO DE CENA? Quem está blefando?
SALÁRIO MÍNIMO Novo salário mínimo de R$ 1.741 pode começar a valer em janeiro de 2027
CAOS ESTABELECEU-SE? Há riqueza maior?
CRISE ECONÔMICA Braskem acende o alerta: recuperação judicial vira retrato da crise financeira das empresas brasileiras
BANCO CENTRAL Pix sofre instabilidade e revela o tamanho da dependência do Brasil do sistema de pagamentos
CRISE ECONÔMICA Empresas em crise: quando a recuperação judicial vira o retrato de uma economia sufocada
REFORMA TRIBUTÁRIA Split payment: a reforma tributária pode tirar o imposto do caixa antes mesmo de a empresa respirar Mín. 24° Máx. 38°