
Vitor André Kungel Gambirazi tinha apenas 9 anos. Um menino alegre, querido pelos colegas, estudante do 3º ano da Escola Municipal Maria Nascimento Giacomazzi, em Estação, no interior do Rio Grande do Sul. Sua vida foi brutalmente interrompida nesta terça-feira (8/7), quando um adolescente de 16 anos invadiu a escola e, armado com uma faca, esfaqueou Vitor no peito, matando-o diante dos amigos e professores.
Quem era Vitor? Filho de uma família humilde e trabalhadora da cidade de pouco mais de 6 mil habitantes, era conhecido como um menino doce, aplicado nos estudos e cheio de sonhos que agora jamais saberemos se seriam realizados. A prefeitura, em nota, disse que sua “partida deixa uma imensa lacuna em nossa comunidade escolar” — mas nada que se diga pode devolver a Vitor os anos de vida que lhe foram roubados.
A tragédia expõe o lado mais cruel de uma sociedade que falha, todos os dias, em proteger suas crianças. Um adolescente, já conhecido na cidade, com histórico de tratamento psicológico, conseguiu entrar na escola sem qualquer impedimento. Sob o pretexto de entregar um currículo, pediu para ir ao banheiro e, então, espalhou terror: lançou bombinhas para assustar as crianças e iniciou o ataque.
Além de matar Vitor, o agressor feriu duas meninas de 8 anos e uma professora. As vítimas sobreviveram, mas as cicatrizes emocionais vão durar muito mais que os cortes físicos.
Até agora, ninguém sabe ao certo. A polícia investiga e familiares do agressor, que foi apreendido por populares logo após o crime, não se pronunciaram. O adolescente, como muitos outros em episódios similares no país, parece ter sido engolido por um ódio que ninguém soube enxergar a tempo. Mas nada — absolutamente nada — justifica o assassinato de uma criança.
É preciso perguntar: como alguém armado entra tão facilmente em uma escola para matar? Quantas vezes mais teremos de repetir essa pergunta? Quantas famílias terão que chorar sobre o caixão de uma criança antes que medidas concretas sejam tomadas?
O velório de Vitor acontece nesta quarta-feira (9/7), na Capela Velatória Gruber. Seu corpo será sepultado no Cemitério Municipal de Getúlio Vargas. Seus sonhos ficam para trás, sepultados junto com sua pequena vida.
A dor da família Kungel Gambirazi ecoa em todos nós. Porque a selvageria não matou só Vitor — matou também um pouco da nossa crença na escola como espaço seguro, e escancarou, mais uma vez, o fracasso de uma sociedade que fecha os olhos para os sinais de violência antes que ela exploda.
Quantos Vitores ainda precisarão morrer para que a barbárie seja detida?
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