
A notícia da morte cerebral de Luiz Flávio de Brito, aos 51 anos, apresentador do programa Fiscal do Povo, exibido pela TV Nova Japi, de Jundiaí, São Paulo, após ser atacado com uma furadeira na cabeça, não choca apenas pelo inusitado da arma do crime. Ela nos choca porque escancara o nível de brutalidade e irracionalidade a que chegamos nas ruas do Brasil - e como seguimos assistindo passivos à degradação completa do convívio social.
Luiz, conhecido por seu trabalho como comunicador, foi vítima de um ataque bárbaro no último domingo, dia 7, em Várzea Paulista, interior de São Paulo. O suspeito, Yuk Bayard Costa, o golpeou na cabeça com uma furadeira elétrica em plena rua após uma briga cuja motivação a polícia ainda não conseguiu explicar. Não importa o motivo. Nenhum desentendimento justifica transformar alguém em cadáver em potencial por pura fúria.
Depois do ataque, Yuk fugiu levando a furadeira e até agora está foragido. Enquanto isso, a família de Luiz Flávio enterra seu ente querido e a sociedade enterra mais um pouco da sua esperança. Quantos mais terão que morrer dessa forma animalesca até que entendamos que vivemos num país em que matar é banal e escapar da Justiça é corriqueiro?
O caso é emblemático porque envolve um comunicador, alguém que se dedicava justamente a levar informação e voz à comunidade. Mas a verdade é que essa violência atinge todos nós. Hoje foi Luiz, amanhã pode ser você - ou alguém que você ama.
A pergunta é: até quando vamos aceitar? Até quando vamos fingir que a violência urbana é apenas um “efeito colateral” da desigualdade, ou apenas um “problema para a polícia resolver”? Até quando vamos naturalizar a ideia de que “ninguém pode se meter em nada” porque sempre há um doido armado por aí?
O assassinato de Luiz Flávio de Brito não é só mais um número. É um alerta gritante: a barbárie já bate à nossa porta - ou nos alcança na rua, à luz do dia, na forma de uma furadeira cravada no crânio. Isso em qualquer canto desse país.
E o agressor? Está foragido, claro. Porque neste Brasil o crime compensa, e a Justiça tarda tanto que chega a envergonhar.
Enquanto não recuperarmos nossa capacidade de indignação - e exigirmos mudanças estruturais para combater a impunidade e a cultura da violência -, continuaremos todos à mercê da selvageria. Com idiotas dominados por idelologia pedindo guilhotinha para uma criança, pelas redes sociais.
Hoje, Luiz Flávio paga o preço com a própria vida. Amanhã pode ser qualquer um de nós.
BRASIL Brasil - A engrenagem da escassez: como o poder se alimenta da miséria
NEM TODOS ESTÃO? Cuidando do que importa?
SELEÇÃO Seleção do IBGE segue com inscrições abertas até 9 de julho no Piauí Mín. 20° Máx. 38°