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Economia NÃO É PARA POBRES

IOF para ricos ou para pobres? Campos Neto desmonta narrativa do governo Lula

Ex-presidente do BC diz que aumento do IOF penaliza mais os pobres, encarece a produção e revela “obsessão da esquerda com igualdade e não com redução da pobreza”

07/07/2025 às 06h00
Por: Douglas Ferreira
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“Não é verdade que o IOF seja um imposto para ricos - Foto: Reprodução
“Não é verdade que o IOF seja um imposto para ricos - Foto: Reprodução

Em meio à polêmica sobre o aumento da alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), o economista e ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, trouxe um contraponto à narrativa oficial do governo Lula. Enquanto o Palácio do Planalto sustenta que o tributo penaliza “os mais ricos”, Campos Neto afirma: o IOF não é imposto para ricos e seu aumento pesa sobre toda a cadeia produtiva, afetando sobretudo os mais pobres.

“Não é verdade que [o IOF] seja um imposto para ricos. Essa não resiste a uma conta simples do aumento no custo para uma operação de crédito pequena. Impacta toda a cadeia e encarece e distorce o processo produtivo”, disse Campos Neto em entrevista à Folha de S. Paulo, publicada neste domingo (6).

Na última sexta-feira (4), o ministro Alexandre de Moraes, do STF, suspendeu os atos do Executivo e do Legislativo sobre o aumento do imposto e convocou uma audiência de conciliação entre os Poderes para discutir a medida.

Para Campos Neto, o IOF é um imposto “muito ruim” e injusto, pois encarece o crédito sem distinguir renda: “Não se pode dizer que o encarecimento do crédito é para o andar de cima”, afirmou.

O economista transmitiu a presidência do Banco Central a Gabriel Galípolo em 1º de janeiro e, após cumprir quarentena, assumiu em julho o cargo de vice-presidente do conselho e chefe global de políticas públicas do Nubank.

“Obsessão com desigualdade”

Ao comentar o cenário político na América Latina, Campos Neto criticou o viés das esquerdas na região: “Tem algo sintomático dos regimes de esquerda no mundo, que está sendo questionado. Acredito fortemente no axioma que diz que, quando o governo cresce, a liberdade da sociedade diminui. As ideologias de esquerda têm uma obsessão com igualdade e não com diminuição da pobreza”, analisou.

Segundo ele, essa obsessão leva governos a se venderem como “necessários para corrigir erros”, em vez de reduzir efetivamente a pobreza.

2026 não está no radar

Campos Neto negou qualquer envolvimento com uma eventual candidatura presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para 2026: “Acabei de entrar no Nubank. Minha área de interesse é finanças e tecnologia. Tarcísio tem dito que vai ser candidato a governador. Não há nada além disso”, garantiu.

A declaração de Campos Neto coloca ainda mais lenha na fogueira de uma discussão crucial: afinal, a quem o aumento do IOF realmente penaliza? Se o próprio ex-chefe do BC diz que a medida pesa nos mais pobres, por que o governo Lula insiste na narrativa de que o IOF é para “pegar os ricos”?

Perguntas que seguem sem resposta em um país onde a obsessão pela igualdade parece falar mais alto que a real luta contra a pobreza.

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