
A decisão do presidente do STF, Luís Roberto Barroso, de redistribuir para o ministro Alexandre de Moraes a ação movida pelo PSOL - que contesta a derrubada do decreto que aumentava o IOF - caiu como uma bomba no Congresso Nacional. O gesto, solicitado por Gilmar Mendes, de enviar o processo a Moraes, visa unificar o debate jurídico, mas provocou forte reação política, especialmente da Câmara dos Deputados.
O presidente da Casa, Hugo Motta, já avisou: não aceitará que o Supremo se transforme em ferramenta para o governo reverter uma derrota política clara no Legislativo. Nos bastidores, ele classificou a ação como tentativa de “governar com o STF” ao invés de negociar com o Parlamento. A temperatura subiu.
É o cenário mais provável. A ampla votação que derrubou o decreto do IOF - 383 votos a 98 na Câmara - já indicava um Parlamento disposto a reagir. Se o governo insistir na judicialização, a Câmara pode retaliar com mais resistência legislativa, travando pautas do Executivo e expondo ainda mais a fragilidade da articulação política de Lula.
Motta, respaldado por lideranças como Pedro Lucas Fernandes (União Brasil), deixa claro: a disputa não é apenas sobre imposto, mas sobre protagonismo e respeito institucional.
O núcleo da crise é político, mas os impactos são fiscais e econômicos. O aumento do IOF, barrado pelo Congresso, garantiria até R$ 20 bilhões em arrecadação. Para o governo, esse valor seria essencial para manter programas e cumprir a meta de déficit zero.
Para o Congresso, no entanto, o gesto do Executivo foi uma tentativa unilateral e mal articulada de elevar tributos sem diálogo. E, agora, ao buscar apoio no STF, o Planalto parece ignorar ainda mais a interlocução com o Legislativo.
Ao assumir a relatoria, Alexandre de Moraes terá nas mãos mais do que uma ação tributária: ele julgará o equilíbrio entre Poderes em meio à maior crise institucional do governo Lula 3.
Se o STF decidir favoravelmente ao PSOL e ao Planalto, pode alimentar a percepção de que o Judiciário virou uma espécie de extensão do Executivo - percepção que, embora politizada, já circula entre lideranças do Centrão e empresários.
Tudo indica que sim. Com discursos duros e articulações nos bastidores, Hugo Motta e líderes parlamentares prometem resistência institucional e política. O risco para o governo é alto: a depender do desfecho, a judicialização pode:
Congelar votações importantes no Congresso;
Incentivar novas derrotas do Executivo em pautas fiscais;
Erosar ainda mais a base aliada do governo, já enfraquecida.
A tentativa de reverter no STF uma derrota imposta democraticamente pelo Congresso não será isenta de custo político. O governo Lula corre o risco de aprofundar o isolamento institucional, perder força legislativa e transformar um embate pontual em guerra declarada entre os Poderes.
Se prevalecer a leitura de que o Planalto “terceirizou” decisões impopulares ao Supremo, o custo será mais que fiscal - será de legitimidade.
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